Um olhar sobre a natureza do oeste peninsular, o meu olhar, com histórias e imagens, contos e pensamentos... Viagens...

Bolotas de carrasco


É um dos representantes do género Quercus que poderei dizer da boca para fora possui das frutificações mais abundantes e regulares. Mas se dissermos que esta espécie ocuparia um lugar exclusivo único e pouco reduzido na vegetação potencial ibérica, estamos a atribuir insignificância às suas frutificações. São especulações de um mundo que não existe, mas sabemos hoje que devido à desflorestação, incêndios, pastoreio e outros, esta espécie viu o seu território de eleição aumentar.


Li algures e poderei escrever aqui muito atamancado que o carrasco domina nas fileiras de calcário inóspito como os lapiás, penetrando as suas raízes pelas fendas e orifícios dos estratos em constante erosão, tornando-se num rei de contornos impenetráveis, e que muito lentamente vai vendo ou tendo como companheiras outras espécies arbóreas da sua família ou não.


É uma espécie curiosa e sempre interessante que se divide em duas, e que tem na sua família um parente arbóreo que diga-se de passagem, se encontra muito mal divulgado... Uma jóia dos calcários em parte mas que não se resume a eles...

Quercus broteroi, folhada húmida


Há algo que me atrai nas folhas de carvalho... Não importa a espécie, não importa a proveniência, só preciso de as ver, caídas dos seus ramos, naquele tom acastanhado, que já foi amarelado, que já foi verde... 
São as diferenças do norte para o sul no tamanho da folha, são as cores que se mudam com as estações, é a mística invisível que as acompanha, desde o nascimento na primavera até à sua queda no outono ou no inverno.
São os carvalhos, e as suas folhas ornamentais...

Mini coleóptero com listas e buracos


Encontrar insetos é sempre entusiasmante, nunca sei o que há-de aparecer, nunca sei que formas e cores irei ver, mas no final de contas sou sempre surpreendido mesmo que já tenha visto insetos parecidos, e mesmo que me esqueça com o passar dos tempos, será sempre surpreendente. Este diminuto coleóptero, será por certo um caso desses. Com um tamanho menor que dois milímetros, supera-se maior que a lente na ponta de uma ervita, e revela-se um pequeno ser calmo e tranquilo ali pousado ao sabor das temperaturas suaves do começo deste inverno e deste dia em geral nublado. Junto a uma linha de água, em vegetação herbácea daquela que é muito comum e que se desenvolve pujante, não só por isso mas pela bordadura de um campo de cultivo próximo, lá estava ele, uma pequena mancha preta num grande mar de verde verdejante, e de um solo com pedacinhos de folhas de salgueiros, vindas de uma pequena galeria caducifólia e entrelaçada.
Mas o propósito é esse diminuto escaravelho que me impressionou com a textura do seu corpo, uma alternância de um padrão riscado de cima para baixo que já conhecia neste tipo de animais, com aqueles buracos simétricos até à cauda. Adoro, e é aquele dizer que me vem de nunca ter visto isto... Gostava de saber mais...


Um lugar que ainda conserva uma essência de campo...

Campo Raso, Sintra
By Rui Faria

Alfavaca-dos-montes "exótica"


Se me perguntassem qual ou quais das plantas eu achasse que teria um exotismo de outras paragens longínquas, eu diria que uma delas seria concerteza a Erophaca baetica ssp. baetica. Talvez por ser do norte e não esteja habituado a uma vistosidade e exuberância destas fora do habitual. Só mesmo aqui no sudoeste da europa, depois de percorrer os meandros dos matagais, é que esta planta surge acantonada com outras e arbustos, com as suas abundantes folhas simétricas, perfeitamente alinhadas, e com uma bordadura peluda, que parece que o fotógrafo exagerou na nitidez, ... na composição...


As flores até podem nem ser altamente coloridas nem garridas, mas vêem-se a quilômetros de distância, já para nem falar das vagens, esses grandes sacos de sementes, que nem o verde os faz ser discretos.


O azul do lagarto-de-água


Reza a lenda, que um grande réptil feroz, vencido pela guerra com o deus unicórnio, foi condenado a vaguear pela terra, envergando para toda a eternidade o intenso azul do céu na sua cabeça, como sinal da sua derrota. Ele, o deus, ordenou que o seu corpo verde guerreiro envereda-se um tom especial do seu reino. Nada melhor e mais vibrante que o azul ciano, nada mais puro e mais belo que essa cor maravilhosa e dominante, que avisará qualquer réptil ou viajante da sua inevitável derrota com o deus unicórnio. E ele, réptil feroz, ostentará esse ornamento enquanto a punição terminar e eternidade tiver fim.

Pois sem histórias, a humanidade não se teria desenvolvido, nem havia conhecido, tamanha beleza e animal místico que o nosso lagarto-de-água. Uma jóia preciosa da península ibérica, que deveria ser escrupulosamente protegida, amada e respeitada, como um ser exuberante e exótico, uma herança de tempos antigos, que hoje caça em terrenos húmidos e junto a cursos fluviais. Nem sempre é fácil encontrá-lo, e às vezes quando se encontra, a mistura de azul com verde é tão inebriante, que a admiração é o primeiro ponto a sentir.
Por favor: NÃO cortem a vegetação autóctone ribeirinha... A nossa jóia necessita dessa vegetação para caçar ou comer os seus alimentos favoritos...

Melitaea voa, trevo branco fica...


Embora fosse intenção imortalizar a Fabaceae em questão, a magnífica borboleta da família Nymphalidae também aí ficou, o seu bater de asas, e a forma elegante com que se desloca pelo ar.

Crânio de Erinaceus europaeus


Foi na Reserva Natural das Dunas de São Jacinto, que este ouriço-cacheiro perdeu a vida devido a causas naturais ou doença, deixando para trás depois de uma limpeza pelos seres necrófagos, os espinhos e o seu típico crânio. De salientar os impressionantes incisivos, necessários para um predador insétivoro por excelência.


Terra dos Carvalhos - um alvarinho gigante


Apesar de não aparentar grande qualidade de imagem, este gigantesco carvalho-alvarinho foi muitas vezes uma cancela de passagem que me barrava sempre o caminho naquela estrada de acesso ao coração das serras do Gerês. Como é possível tamanha espécie de árvore atingir tamanho tão belíssimo, cada tronco, cada ramo cada folha, cada textura do seu ritidoma e o musgo que a acompanha... simplesmente belíssimo...  Mas não só é o seu tamanho que impressiona, mas o facto de albergar tantos seres vivos diferentes, tanto, que é difícil enumerar. Quantas espécies de briófitas e pteridófitas alberga este majestoso ser, quantos líquenes, e invertebrados?, ui... sem contar a passagem de pequenos mamíferos, e os símbolos dos Quercus, os chapins...
 Tenho saudades daquele carvalho que me embalava pelas ricas manhãs viajadas, em plena Terra dos Carvalhos, do seu ar imponente,... 

Fritilária um caso de raridade


Isto de ser raro ou abundante tem muito que se lhe diga, e nem sempre é fácil compreender por que determinada espécie é mais rara que outras.
Pode-se dizer que esta Fritillaria lusitanica var. lusitanica é uma raridade incerta, pois com tanto habitat disponível e pouco perturbado, seria de esperar que fosse muito populosa. Esta frase simples, serve também para muitas outras centenas de espécies de plantas, com o mesmo tom exato de afirmação. Se por um lado os estudos lusitânicos desta planta que serão por certo escassos, não acompanham a situação da espécie do ponto de vista mais antiquíssimo, para poder fazer um análise resumida, da sua história e o porquê de ser pouco abundante. Pondo de lado o tema científico que é sempre importante, se percorrermos os trilhos de colinas calcárias atravessadas por filões podemos ver em primeira mão as suas densidades. Uma aqui, outra ali, dois, três ou quatro exemplares juntos e pouco mais. É como se fossem solitárias, perdidas pelos montes, em busca de um bom habitat, de um sítio perfeito. Mas pode ser esta uma excepção à regra, e espero que seja, pois é me impossível percorrer toda a zona ocidental, na época de floração ideal. 

Parelha de cogumelos


Não apanho cogumelos, mas talvez um dia apanhe, um ou dois, para comer, ou para viver, sem nunca entrar num patamar de apanhar dez, vinte ou cestas inteiras, como muitos fazem. Dizem os especialistas que eles são como os frutos, e que se colhidos com sabedoria e bom senso, pouco ou nenhum dano é realizado no ser fúngico principal, o micélio. Mas e aqueles que não têm escrúpulos, e se dedicam a arrasar colónias inteiras de cogumelos comestíveis (ou não) para vender pelo chamado mercado negro, por quantias desconhecidas. Pessoas pobres, com poucos rendimentos, ou apenas para ampliar os que já os têm em abundância. Pois, sem regulamentação não sei o que será de vastas populações de cogumelos. Mas será que a apanha intensiva consciente faz algum dano sério, sabendo que o cogumelo é um fruto? Ambientalmente quero pensar que não, que os danos são mínimos, quando a apanha é feita por especialistas, mas, no entanto, faz-me muita confusão, e presumo que seja a maioria uma realidade, a apanha descontrolada e furiosa.
Por mim, gosto de os admirar, de os apreciar, com a visão, com uma fotografia, ás vezes nem lhes toco, mas até costumo os separar de galhos e folhas para a composição da imagem ser mais aprimorada. Isto pode soar um pouco a xoninhas, mas que o seja, se puder utilizar a visão como admiração por estes incríveis seres, e não o cérebro e o estômago para os saborear... E não me fico por boletos, russulas, amanitas, phallus e outros, adoro "saborear" à minha maneira aqueles microscópicos, de formatos e cores incríveis, em substratos diversos, que me põe literalmente de cabeça para baixo, mas todos eles me arrancam um sorriso...
Não quero apanhar cogumelos, mas quero vê-los, mesmo até, sem me importar em que espécie estão eles inseridos, como é o caso desses dois aí em cima...

Salticidae cor de fogo


Eis que estás magníficas e pequeninas aranhas se mostram sob as pedras calcárias. Cada pedra uma aranha, ou até mais que uma. Ou até macho e fêmea.


Nunca deixo de me impressionar com a coloração desta magnífica espécie...

Os estames da lagarta


Nas flores compostas da calêndula, esta pequena lagarta se passeia... Ou se alimenta...

Algas atlânticas


O rico património botânico marinho muitas vezes ignorado emerge à luz das marés.


Várias espécies de algas, de várias cores, discretas, claro...


No litoral Atlântico, ainda prosperam, em costas límpidas e selvagens. Servindo de abrigo para uma grande diversidade de formas de vida...

Pisco curioso contemplador


Os dias outonais que se seguem depois do estio, fazem com que os padrões de comportamento do pisco-de-peito-ruivo, Erithacus rubecula se alterem significativamente no que concerne à proximidade com os humanos. Atrás de moitas, atrás de arbustos, ou fingindo que faz outra coisa, ele aproxima-se, entoando curtos sons, ou se faz silencioso, quando a demasiada proximidade já deixou cair o pano da sua timidez. Mas fá-lo o tempo o suficiente para poder-se admirar o peito alaranjado que delicia qualquer naturalista. Um símbolo do outono, um visitante de inverno, um pássaro maravilhoso que perpetua no campo intocado, nas sebes verdes e húmidas, nos arbustos recatados, sob as ténues luzes pardas e quentes das primeiras e últimas horas dos dias europeus.

Castinçal do grande monte calcário


Para mim, viajante do norte, que sempre encontrou castanheiro em algum recanto do noroeste peninsular, que sempre viu as suas folhas amarelo-acastanhadas, que nem sempre esses castanheiros se pujam de ouriços avantajados como os seus parentes do leste interior, mas, que definitivamente, se me embalam as formas de um ser arbóreo de aspeto temperado, nortenho, fresco e boscoso, que a paisagem e o "sapiente" deixaram existir.
Deslocando-me para sul, ao longo das montanhas de cintura que apertam a bacia lusitânica, acabo em um lugar, tão branco e puro, tão mediterrânico e quente, que se encontrar aí algum bosque temperado, será a ilusão perfeita, delírio botânico...
Mas o assombro aparece quando a descida de um caminho acontece, e lá no fundo, mas lá no alto da montanha, eis que o grandioso aparece.
Primeiro são os ramos entrançados, depois são os troncos acastanhados e por último é a hera que trepa caminhos longínquos num abraço que vai perdurar, ninguém sabe quanto... Quantos anos eles têm, e quantos anos eles terão, quanta vida eles abrigam? Ninguém sabe, mas eu sei, e vi com os olhos do viajante nortenho, que estes castanheiros também se querem igualar, querem ser temperados, húmidos e fechados, para alguém se perder e fixar de uma vez agora, que no sul, especialmente nesta montanha dorsal branca, hã uns castanheiros perdidos de encantar...

Algures na Serra de Montejunto...

Geneta, mémorias de Rodríguez de la Fuente

Nunca poderei esquecer o estranho efeito que em mim produziram as primeiras peles de geneta que vi nos já distantes dias da minha infância. Transportava-as no seu carro um daqueles almocreves que comerciavam pelas povoações de Castela. Num molhe copioso e matizado amontoavam-se flamejantes raposas, suaves martas e fuinhas, furões e meia dúzia de genetas. Então, eu não sabia ainda que os belos animais de pele cinzento-prateada, malhada de negro no corpo e adornada com uma tão longa e anelada cauda, se chamavam genetas. Depois de mexer bem nas peles de genetas do almocreve cheguei à conclusão errada de que deviam ser de gato.
Talvez a minha imaginação infantil transformasse em património exclusivo dos felinos a pele ricamente manchada e as garras afiadas e falciformes, mas o meu primeiro exame zoológico não estava muito errado, pois as genetas têm algo de gatos e cães, embora não estejam aparentadas com qualquer destes géneros animais.
Com efeito, os homens de ciência classificam estas gráceis criaturas entre os viverrídeos, carnívoros caracterizados pelo corpo longo, membros curtos e fortes, com cinco dedos nas extremidades, garras semi-retrácteis e glândulas perianais que produzem um intenso odor almiscarado.


 Mas, para nos apercebermos da gracilidade e completas qualidades físicas da geneta, seria conveniente observá-la em plena natureza, onde muito poucas vezes o naturalista teve oportunidade de a encontrar, pois trata-se de um predador noturno, de hábitos recatadíssimos. Iremos recolher quantos dados fidedignos tivermos dos seus costumes e, juntando-os às nossas observações de campo, apresentaremos a documentação que descreve o périplo noturno da geneta.
Na concavidade recatada de um velho tronco de carvalho, uma cabeça curiosa surge bruscamente. Contemplando-a pormenorizadamente, podem descobrir-se na sua face os mais genuínos traços do predador noturno. Os olhos, grandes e brilhantes, têm agora as negras pupilas totalmente abertas; mas, se as víssemos de dia, poderíamos verificar que estreitam, transformando-se em duas pequenas ventas verticais, semelhantes às dos gatos. Magnífica adaptação da íris para melhorar a visão noturna. Os grandes pavilhões auriculares, por seu lado, conferem-lhe um ouvido agudíssimo, e o focinho, trémulo, rosado e húmido, é a mais acabada expressão do olfato desenvolvido.


A geneta já desce, quase sem peso, pelo áspero tronco de carvalho. Nem sequer o gato poderia comparar-se-lhe em agilidade. De ramo em ramo, sem dar um passo em falso, sem fazer um ruído, a sua longa cauda compensa e equilibra como um balancim os inverosímeis movimentos. As pequenas mãos, digitígradas, de palmas nuas e sensíveis, aproveitam com as suas garras em forma de gancho qualquer aspereza da madeira para assentar. No solo, entre os fetos e a erva crepitante, a geneta avança com tanta segurança como pelos ramos. O seu trotezito leva-a até à margem do riacho, onde a temperatura é mais benigna e são maiores as possibilidades de caçar roedores. Nas suas deslocações noturnas tira bom partido da pele malhada, porque os desenhos negros sobre o fundo acinzentado decompõem a sua silhueta.


A geneta caçadora detém-se súbitamente. Um odor detestável chega até ao seu nariz com um sopro da brisa. Um par de saltos conduzem-na silenciosamente até à copa de um salgueiro segundos antes de aparecer, bojuda e segura de si mesmo, a velha raposa que anda durante todo o inverno por aquelas paragens. A geneta <<sabe>> muito bem que as suas armas de caçador não podem competir com as da raposa, com as do gato-montês, para não falar das do lince ou do lobo. A situação da geneta no equilíbrio natural é, portanto, das mais difíceis de sustentar sem sucumbir mais tarde ou mais cedo, porque é, ao mesmo tempo, predador e presa.
Tem de conquistar todas as noites alguns troféus para não morrer de fome e deve ainda pôr-se a salvo dos seus muitos inimigos, incluindo o bufo-real e as grandes águias. Daí os seus perfeitos dispositivos de segurança e ataque. Sem eles, a espécie não teria podido sobreviver, e há que ter em conta que a geneta é um carnívoro muito mais antigo que os seus citados competidores.


Mas o salgueiro salvador transforma-se rapidamente em teatro das operações cinegéticas da nossa protagonista: uma subtil emanação substituiu, na copa, o desagradável odor da raposa. A geneta ficou como petrificada e, lentamente, a sua face aguda, coroada pelas altas orelhas, vai girando como uma pantalha de radar na direcção de uma bola branca e negra que se eleva sobre um ramo natural da velha árvore. A meio metro da pega que dorme, todo o organismo da pequena caçadora se encontra na máxima tensão; e, como se um raio misterioso tivesse levado a sua ansiedade até à mente da pega, este tira súbitamente a cabeça de entre as penas e o seu perfil de corvídeo recorta-se vigilante contra o disco da Lua. Por uns décimos de segundo, a ave e o mamífero contemplam-se fixamente. Talvez o ranger de uma folha seca tenha despertado a pega e os seus finíssimos sentidos lhe tenham permitido localizar a sua inimiga, mas imediatamente a inerte massa cinzenta se desdobra como uma mola. As garras esticadas como um leopardo em miniatura; a boca entreaberta, brilhando a dentição perfeita; a incontida avalancha arrasta tudo: uns ramos que se interpunham no seu caminho, algumas folhas esquecidas pelo vento e a massa agitada e queixosa da ave. E tudo cai sobre a pradaria gelada. Mas os aguçados caninos da geneta quebraram o pescoço da pega.


As genetas, consideradas como nocivas porque destroem alguns coelhos, talvez perdizes e poucas aves de capoeira, são animais muito úteis para a agricultura, porque a base da sua alimentação é constituída por roedores: ratos, ratos-do-campo, ratos-d'água, ratos-dos-pomares, ratos-toupeiros, etc. Mas se a sua insaciável atividade no contrôle de roedores não compensasse bastante os poucos danos que pode causar entre as espécies cinegéticas, bastaria o fator estético que representa a sua beleza para que todos os amantes da natureza detivessem, tão cedo quanto possível, a insensata perseguição de que estes e outros belos predadores europeus estão a ser objecto. E basta lançar o olhar pelo mapa de distribuição desta espécie para se verificar que a geneta apenas se pode encontrar na Europa, no sul de França, onde já é muito rara, ou na Península Ibérica. Ela é uma jóia de que não temos o direito de privar os nossos descendentes, porque seria muito triste que as crianças de amanhã tivessem de aprender nos livros que um precioso animal, chamado geneta, predador de roedores, aves, répteis, batráquios e insetos, fora exterminado pelos seus avós. Os seus piores inimigos são as armadilhas e o veneno dos bicheiros, porque dos seus muitos competidores ecológicos já se libertou desde há milénios. Animal gracioso, belíssimo e domesticável - foi o primeiro "gato" dos egípcios - não deve desaparecer!

   Félix Rodríguez de la Fuente

Imagens captadas com recurso a uma trail camera, em um vale remoto de Mafra.


A geneta prospera...
Nos bosques, zonas florestais, áreas rurais, um pouco por todo o recanto oeste da Península Ibérica.


Pequenos mundos de, cor...


Não estando habituados a um mundo de olhar que não é nosso, o mundo macro, revela formas estranhas, tenebrosas, curiosas e intrigantes.


Para que servem ornamentos, cores e feitios? Porque são tão diversas as texturas?


Na imagem macro podemos encontrar um mundo escondido...
Sério, pulando a palha que escrevi em cima, estas imagens, são das que mais me dá prazer registar, talvez seja o ímpeto de cor e formas espetaculares que são raras no mundo dos meus olhos sem macro. Nós somos capazes de criar grandes mundos de cor entusiasmantes e alegres, no entanto seguimos uma linha perpétua de moda sempre escura e "cinzenta", que ninguém quer contrariar, ... Mas o mundo microscópico não quer saber, e usa todo o tipo de ornamentos floridos, e todo o tipo de beleza que eu ou tu possamos pensar. É isso que entusiasma, ... Quantas macros estão escondidas numa flor?, ... E numa semente? ... E no dorso de um inseto?
É isso que irei descobrir... 

o banho de sol da mosca


Até num outono tão chuvoso como em anos anteriores, estes pequenos seres, se entregam em bons banhos de sol, quando o astro se revela perante a nebulosidade densa que não dá tréguas... Os dípteros, ou esta magnífica mosca, descansa perante a luz dourada de um fim de tarde na praia de São julião.

Escondido o percevejo


 Tudo vale na evolução, até mesmo adquirir a cor das plantas onde o animal habita, pode ser uma vantagem, pode ser suficiente para escapar de uma morte rápida.


Cada tom de cor, padrão e textura tem um propósito,... Só precisa é de ser descoberto!

Scilla peruviana, as flores!




São de longe, uma das flores mais portentosas e exóticas, que o oeste peninsular nos dá... a conhecer! A sua mais ou menos raridade, lembra uma caça às trufas na hora de a procurar, e quando se encontra, uma ou mais flores, ou até pequenas populações, os queixos caem de admiração, e os olhos emergem das órbitas. Mas, tal como as trufas, estas também não me apanham a deitar-lhes uma mão ceifadora... gosto de observar... e maravilhar-me... com este encantador azul!