Um olhar sobre a natureza do oeste peninsular, o meu olhar, com histórias e imagens, contos e pensamentos... Viagens...

Parelha de cogumelos


Não apanho cogumelos, mas talvez um dia apanhe, um ou dois, para comer, ou para viver, sem nunca entrar num patamar de apanhar dez, vinte ou cestas inteiras, como muitos fazem. Dizem os especialistas que eles são como os frutos, e que se colhidos com sabedoria e bom senso, pouco ou nenhum dano é realizado no ser fúngico principal, o micélio. Mas e aqueles que não têm escrúpulos, e se dedicam a arrasar colónias inteiras de cogumelos comestíveis (ou não) para vender pelo chamado mercado negro, por quantias desconhecidas. Pessoas pobres, com poucos rendimentos, ou apenas para ampliar os que já os têm em abundância. Pois, sem regulamentação não sei o que será de vastas populações de cogumelos. Mas será que a apanha intensiva consciente faz algum dano sério, sabendo que o cogumelo é um fruto? Ambientalmente quero pensar que não, que os danos são mínimos, quando a apanha é feita por especialistas, mas, no entanto, faz-me muita confusão, e presumo que seja a maioria uma realidade, a apanha descontrolada e furiosa.
Por mim, gosto de os admirar, de os apreciar, com a visão, com uma fotografia, ás vezes nem lhes toco, mas até costumo os separar de galhos e folhas para a composição da imagem ser mais aprimorada. Isto pode soar um pouco a xoninhas, mas que o seja, se puder utilizar a visão como admiração por estes incríveis seres, e não o cérebro e o estômago para os saborear... E não me fico por boletos, russulas, amanitas, phallus e outros, adoro "saborear" à minha maneira aqueles microscópicos, de formatos e cores incríveis, em substratos diversos, que me põe literalmente de cabeça para baixo, mas todos eles me arrancam um sorriso...
Não quero apanhar cogumelos, mas quero vê-los, mesmo até, sem me importar em que espécie estão eles inseridos, como é o caso desses dois aí em cima...

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