Um olhar sobre a natureza do oeste peninsular, o meu olhar, com histórias e imagens, contos e pensamentos... Viagens...

Lilium martagon (Gerês)


Desabrochando esta planta, das mais raras do parque nacional, uma jóia preciosa e um esplendor botânico.


brilho explosivo, pôr sol...


Como se tu existes e a solidão desvaneceu naquele ponto em que o sol desceu, no momento eterno das eras sem retorno, da saudade esquecida dos tempos imemoriais, e das rochas imateriais, do sentimento presente, de um dia terminado de belezas encontradas, mas de encantadoras descobertas, presenças deixadas para fruição futura, e árvores bafejadas pela brisa atlântica tardia. Já subimos a encosta com a luz parca nas costas, já vencemos os passos do arenito ascendente e inclinado, e as finas camadas que se estendem pelo horizonte, que nunca as abarcamos, mas guardamos os abraços para dois, para juntos, para nós... Sentes o mesmo e sentimos tudo, de uma forma em que aquele pôr do sol nos engalana, nos envolve com algo poderoso e eterno como magia, como feitiçaria natural... Natureza selvagem e magnífica...

Praia dos Lagosteiros
by Rui Faria

terra de flamingos


Seria uma ave que voou desde os meandros pantanosos e que deixou a saudade nas terras por onde andou e pelos lugares que saboreou, pousando nas águas baixas naquele momento efémero duradouro, de lentidão apressada... em que olham para a mesma direção em conjunto, em que se apresentam altivos, amigos, eternos, na sua terra, na terra de flamingos...


by Rui Faria
RESERVA NATURAL DO ESTUÁRIO DO TEJO

Crânio de bovino


O crânio do grande herbívoro desbravador de erva, ali despojado e abandonado na serra, a caminho do vale e do arvoredo,... o animal que o deixou, e levou o seu espírito de uma memória de uma manada e de uma liberdade pura e selvagem...

Garça & Alfaiate


A jusante da foz do Trancão, as aves aproveitam a última oportunidade para se alimentarem na vasa a subir... A garça-real é apenas a presente que olha num sentido e ali se deixa estar, enquanto os alfaiates alimentam-se freneticamente. Outras aves ali se impõem.

estorninhos no alto de colaride



Estes magníficos voando em bandos coordenados pelos pastos verdes, como pequenas aeronaves direcionadas num único sentido sem se tocarem, pousando no tal pasto preferido... No alto de colaride, a rocha basáltica é um íman para a vegetação verde e viçosa... E os estorninhos adoram...

Aquela fêmea de cartaxo


Simplesmente observando, aquele vasto prado que um dia foi dourado, mas a ave que me vê, não entende que esse amarelado, foi um repasto de épocas passadas, de insetos que surgiram nos calores, e nos odores a palha queimada, pelo sol esbanjador. Cartaxo, sempre comum pelas pradarias, selvagem observador dos campos, casal preso à sua espécie, e terras que são suas mas partilhadas. É assim que a fêmea do cartaxo vive por de baixo, do véu de aves...

o interior da flor


O interior da flor é algo puro, leve e fofo, transparente como a flor que é beijada pelo doce mel e do sabor a néctar, pela agressividade desse pólen, pelo aglomerado de cristais macios amarelados, que juntinhos formam uma forma enrodilhada, desprendida pelos espaços intercalados da formação da planta, do nascimento da flor primaveril...

Petronia petronia

 

O pardal-francês empoleirado no arame farpado das grandes herdades costa-alentejanas olha para o observador denotando a sua distinta mancha amarelada da garganta. 

nascer do sol nos olivais


Só vejo a luz, que emana do interior e que persegue a existência de ser sempre aquilo que é natural, uma luz radiosa e portentosa, que acalorenta e envolve um carinho mútuo, e um desprender impossível, uma grandiosidade absoluta dificilmente difícil de explicar... Não que esta luz seja radiosa, mas de facto até o é, não que os seus raios sejam maleáveis, mas de facto até não são, mas se a luz penetra no interior dos olivais, então eu sou sensível de mais para me deixar levar estáticamente pela explosão de sensações efémeras que logo se esfumam, ... e o sol prossegue o seu caminho... e o olival fica iluminado...

Iris xiphium


O grande lírio amarelo que enternece a flora selvagem do parque natural de Sintra-Cascais. Este floresce isoladamente no alto de um talude da estrada que segue em direção à praia do guincho. As suas cores amarelas garridas e pálidas conforme a disposição consolam os olhjos do observador botânico amador.

cascata - covão de cête


A envolvência desta cascata encravada entre encostas graníticas, e desgastando-as, polindo-as, formando uma belíssima queda de água pitoresca, sombreada pelo amplo bosque variado de caducifólias e loureiros...


O panorama e a altura da cascata.

estratos vermelhos Covão de Lobo


Em um corte estratigráfico na margem de uma estrada é possível observar estes belíssimos estratos argilosos e as camadas mais claras sobrepostas... A erosão das chuvas deixa marcas características no declive...

o pinheiro e o cartaxo


O pinheiro, isolado na encosta, o sobrevivente intemporal dos grandes e devastadores incêndios, que varrem sem destino e sem aviso prévio a serra de grande relevo. Encravado por entre uma brecha de lajes xistosas, que albergam outras urzes e as habituais plantas arbustivas companheiras.


Como vigilante, este típico macho de cartaxo utiliza a grande laje do alto para o entorno observar... Com a companheira por perto, juntos formam um avistamento relativamente comum em habitats deste género, mas sempre em locais abertos...

Serra da Boneca
by Rui Faria

Flamingo, pôr sol


A terra do flamingo, o vasto mar da palha, os vastos lamaçais a descoberto, são o poiso predilecto, da grande ave rosada, por muitas vezes acinzentada, que procura aquele alimento, que só o lamaçal fornece... 

xisto do Ramalhão


Curiosa as formas destas lâminas de calcário que fazem lembrar os xistos...
Remontam ao jurássico superior... numa altura em que seriam lamas sedimentares na horizontal...


Corte geológico representativo dos denominados xistos de Ramalhão... Estrada da Malveira da serra...
by Rui Faria

o Trigueirão


Nas lezírias do tejo, um dos habitantes alados, que mais se deixa observar com o seu voo pesado e característico e o canto melodioso que enche este ar primaveril.

Emberiza calandra , by Rui Faria

cicatrizes no penedo granítico


Na serra de Gontim, os penedos graníticos em forma de bola são uma constante, quando intercalados pelo verde dos prados ou dos matos, ou pelos jovens bosques de carvalhos. Aqui na face deste penedo são facilmente perceptíveis estas cicatrizes sobrepostas, ou fissuras, fruto da erosão da rocha. O que me espantou foi o facto das fissuras estarem sobrepostas e juntas, com orientação vertical e horizontal, quando são comuns as fissuras isoladas, seja na horizontal ou na vertical, e com uma direção ou linha mais direita... fica aqui assinalado o facto e a beleza deste penedo granítico.


Outra perspectiva e fissuras.

a 1ª tempestade primaveril



Despejando as suas águas no anticlinal de Valongo, as musculadas nuvens carregadas de humidade no início da primavera.



A tromba de água abate-se agora sobre o douro litoral...