Um olhar sobre a natureza do oeste peninsular, o meu olhar, com histórias e imagens, contos e pensamentos... Viagens...

Madeira morta, entrada da xilofagia


Sempre procurei em cada zona florestal, um pedacinho de madeira morta, onde pudesse observar uma microfauna diferente, a chamada fauna xilófaga. Se no outono os cogumelos são os "frutos" de tais madeiras, na primavera, por exemplo, são os invertebrados de diferentes ordens que dominam a xilofagia.
Desde sempre a madeira foi um recurso muito utilizado, pelo que é "inadmissível" a presença de árvores mortas durante muito tempo, e sobretudo fora de áreas protegidas, bem como áreas de "gestão", em resultado disso, rareia, precisamente aquela microfauna que procuro.
Felizmente, já encontrei troncos mortos, em ambiente florestal de Quercus faginea, coisa rara, por estas bandas, e isso sim, é para mim uma preciosidade.
Floresta com árvores mortas, índice de biodiversidade maior!

A imagem acima, retrata, não uma árvore morta tombada, mas antes, morta de pé. Um pinheiro-bravo, que sucumbiu após vários incêndios. 

Em breve, (deslumbrante vida selvagem lusitana)

Tenho andado ausente deste espaço desde à muito por várias razões, mas espero poder em breve aqui regressar, e partilhar, tudo aquilo que tenho visto nas terras bravias deste canto oeste da Wild Iberia...

De momento, entre outras coisas, tenho-me debruçado nas diferenças foliares dos diferentes carvalhos da Estremadura. A tenaz persistência do Quercus faginea, e presença fugaz do Quercus pyrenaica. A serra de Sintra é o solar dos carvalhos, uma reunião deslumbrante... etc.
Até breve...

castanheiro e o ribeiro


O castanheiro, em solos onde dominava o carvalho-negral, continua a ser um atrativo biodiverso. Os cogumelos são diferentes, bem como a fauna entomológica. A rocha, predominantemente de origem magmática, continua a ser delapidada, para engrossar, estes solos serranos.
Serra da Cabreira 

ciclo solar, sol pôr na Arrábida


Sempre que desceres, lembra-te, que aqui há terra, lembra-te que encontramos o paraíso calcinado nas rochas puras, encarcerado numa cúpula dura e cristalina, que encerra uma grande forma de cores, que o nosso olho permite sentir, viremos dizer de novo, que estarás de novo aqui amanhã, por volta das sete da manhã, para um clássico novo ciclo, para um novo feito, para repetir as cores de ontem, e a beleza do presente que jamais será esquecida, nem ignorada. Mas depois da tua luz se esvair em tons mais frios, o espetáculo continua, o jogo de formas efémero não para, e a luz perdura cada vez mais ténue, sobre a terra, sob o céu, e sobre o mar...
Por isso lembro-me que aí estarás amanhã, para um novo ciclo solar, e para iluminares o que quer que esteja para sempre iluminado...

                                                                   by Rui Faria, MR

salamandra-de-pintas-amarelas


Numa pequena cavidade húmida de um penedo na serra da preguiça, esta salamandra abriga-se do dia e da luz brilhante, tentando manter-se escondida, até à chegada da noite ou de uma grande concentração de humidade, aconchegada por entre as hastes das briófitas...

os anéis do fogo


 Depois da queima e da carbonização, todo este tronco mudará a sua cor e textura, e se incendiará para sempre com as marcas negras, e dos sulcos do fogo quente, e das chamas em brasa, que consumiram tão alta árvore. Um pinheiro tombado à sua sorte, jaz na encosta, com o seu carvão estalado, dado que foi a única árvore afetada e tombada, aberta e partida, nos veios e anéis que a sustentaram, e alimentaram por dezenas de anos, tão vivo e vibrante ser... Se não fosse uma tempestade, um incêndio era certeza, se não fosse um vendaval uma chuva forte é tarde, mas se uma árvore tem de perecer, que o faça de maneira a que fique lembrada pelos olhares dos ares em volta...


by Rui Faria, MR,...

Pyrus bourgaena


O catapereiro, a pereira-brava autótone da ibéria mediterrânica, atingindo porte de grande árvore sempre que lhe é permitido, embora não muito frequente, compartilha o habitat com muitas outras plantas mediterrânicas perenifólias em geral, do qual faz parte do sub-bosque. Este da imagem foi encontrado na encosta de um pequeno monte de arenito, algures em A-da-Beja, resistindo por entre uma monocultura de eucaliptos, e invasoras lenhosas como as acácias. De notar a sua resiliência em relação aos fogos, precisamente o que este catapereiro da imagem viveu, à coisa de um, dois anos.