Um olhar sobre a natureza do oeste peninsular, o meu olhar, com histórias e imagens, contos e pensamentos... Viagens...

Rio tua... verdes salgueiros


Beleza selvagem e um rio que o deixará de ser, deixará de ter salgueiros, e se eu me alongar aqui, o lamento e a tristeza, podem ser golpes fortes na leitura... 
Que ternura de rio que deixará saudades, daqueles dias quentes nas suas margens, das noites sonhadoras, nas pedras polidas, nas lajes estendidas e em cascatas pequeninas, criadoras de bom ruído e de beleza momentânea... Saudades, das curvas profundas e de remotos lugares, paisagem que arregala os olhos sem piscar, sem pestanejar, e quando respiro,... Um último abraço, um adeus ou um até já... Porque neste espaço, ficarão memórias das árvores, dos animais, da geologia fantástica, do tempo, do passado, da terra, da vida... Que embaraço tão grande é o nosso por deixar partir tão belo lugar sem contestar...

O magnífico Vale do Rio Tua...
RIO TUA, ... ... ... 

Crocus carpetanus (serra da boneca)


Uma das flores mais comuns em prados de montanha, como por exemplo aqui na serra da boneca, em finais de março, mas sendo endémica da península ibérica, podemos olhar para ela com outros olhos e reflectir na sua parca área de distribuição... Sozinha ou em pequenos grupos tal como o da imagem, em pequenos ou grandes prados rasantes por essas montanhas nortenhas fora.

"invasão" do musgo


No alto da serra da boneca por entre lajes afiadas de xisto, as variadas espécies de musgos proliferam a um ritmo incrível, favorecidas pelo solo característico, mas sobretudo pela disposição das lajes de xisto deixadas pela exploração do local ou pela queda natural de blocos maiores. Nesta imagem vemos o musgo como água que se entorna num prato e o envolve por completo...

Pteridium aquilinum na serra da cabreira


Por entre a Erica arborea, muito perto do alto do talefe, numa encosta suave ecom matos altos.


Com o flash da câmara, iluminando o grupo de fetos. 


Continuando a desenvolver e a crescer as suas delicadas folhas.


Pteridium aquilinum, feto-comum.

Apodemus sylvaticus (dunas de Gaia)


Saltitando entre as madorneiras e outras plantas dunares, este pequeno rato-dos-bosques, procura alimento, pequenas sementes por exemplo, e indiferente à minha presença ali especado a olhar para este belo e pequeno mamífero.

o bivalve de rebordo negro


Veio para à praia como um viajante morto e sem vida, uma carapaça que albergou um ser filtrante lá no fundo do mar, depositado aqui sobre os finos grãos de areia, até a rebentação e os ventos desgastarem a sua coloração...


Uma última abertura...

raios de sol em Espichel


Se eu deixasse de ver a natureza, o tempo parava para nunca mais abraçar o que me abraçou, em épocas e momentos de saudades, de te ver e de te olhar, e de sentir arrepios pela pele e pelo corpo todo, como chamarizes dos sentidos, como contemplar o alto céu e mirar aquele pôr do sol gigantesco e assombrador que nos afronta com todo o esplendor e cor, que nos viola o olhar mas com a permissão de nos deixarmos levar pelo espectáculo de formas, cores e luzes naquele céu "sulense". São os feixes de luz que me fazem imaginar eu aqui na encosta, posta a mão no peito e sentir uma energia, do que se ilumina e do que se irradia por todo o entorno, e por de novo imaginar como será a noite sem sol, quando virá o dia com sol e para onde irão aquelas nuvens... Para onde irão os feixes de luz solar que atravessam a penumbra das nuvens...
São os raios de sol...


by Rui Faria ~, no cabo Espichel em um fim de tarde de Fevereiro.