Um olhar sobre a natureza do oeste peninsular, o meu olhar, com histórias e imagens, contos e pensamentos... Viagens...

wild spirit (portugal-horses)






A emoção do espaço livre é uma pura liberdade, é uma rota de múltiplos destinos incertos no ambiente redor, livres são aqueles que percorrem as terras a galope deixando nada mais que o rasto de poeira na traseira e a emoção de viver. Cavalos a galope pelo monte, acelerados e fugidios, mas com o ar de nobreza, se ao pararem nos olham com a crina levemente empoleirada sobre aqueles lindos olhos negros... fico enfeitiçado, por esse olhar terno e com sabor bravio,... mantenho a distância, mantenho a calma e o coração acelerado, corro pela mente e me embalo na manada e no campo de ervas encurvadas pelo sabor da brisa amena e pela visão de terras distantes, por animais presentes e por esses cavalos corredores. Mas aquela égua, pára elegantemente no prado, e em câmara lenta rodopia o pescoço e a linda crina negra, enfeitiçando-me novamente, estarrecido que fico pelo olhar penetrante e pulsante daquele ser bravio, daquele possante animal, daquele estado parado no tempo, momento incógnito, de uma visão soberba e brilho da soma do animal e a montanha.

by Rui Faria, montanhas de Fafe

amarelo, flor e gota...


Bem, o amarelo, sólido e impávido, no entreabrir daquelas flores bonitas e cheirosas, na manhã de orvalho, fresca e nublada, com a humidade ao rubro, e as gotas frescas e transparentes que se arrastam pelas pétalas e se tentam precipitar no abismo minúsculo do arbusto... É o amarelo amarelado espelhado pelo líquido babado, pela ternura da imagem que se entrega na união de dois tons. É a flor na floração, é a flor...

dunas paramos


Um pequeno reduto dunar ainda incrivelmente bem preservado a sul de Espinho e a norte de Esmoriz, com um esplêndido matagal de madorneiras Artemisia campestris em areias compactadas e antigas que ao mesmo tempo abriram a porta à fixação de fetos, musgos, líquenes e outras plantas pouco habituais neste meio dunar. O primeiro lance de dunas como podemos ver na imagem é fortemente influenciado pelos ventos atlânticos e de certa forma pela intensa pressão antrópica sobretudo nos meses quentes. Mas é uma lance como estava a dizer, com plantas altamente específicas que só aqui se encontram, aquele chamado grupo de exclusivas deste habitat,...
Mas sem dúvida que o destaque vai para as madorneiras antigas e lenhosas que prosperam na duna secundária, um dos mais belos que já vi em toda a costa norte de Portugal.

a Tipha


Zona pantanosa, e terras húmidas, terras baixas da ria de Aveiro, onde as águas se acumulam e criam condições para a formação destes tabuás. Espelho de água invernal...


Eretas, estas possantes plantas criam refúgio para uma grande diversidade de aves como os anatídeos e outras como a galinha-de-água ou o galeirão, por exemplo.

água cristalina


São as águas puras e deliciosas que percorrem no sabor das correntes os veios e rasgos da paisagem. Cristalina e transparente, é a água, com um borbulhar frenético, fruto do embate nas rochas, fruto do rebuliço e da rapidez de tais águas, que se fazem sentir sempre com aquele ruído característico e sonoro... Aquele som que me diz que estou muito próximo de uma corrente...
Humidade envolvente e salpicos de água, que as briófitas adoram, e crescem vigorosamente, saciam-se...
Mas a água límpida, é um manto de frescura que refresca, uma matéria,...
Água altamente oxigenada, água cristalina, água transparente,...

by Rui Faria

Frio (SNOW)


O Inverno cai na paisagem e o frio instala-se, nada podes fazer para lhe escapar, ele procura-te e encontra-te. Provoca-te arrepios pelo facto de não estares adaptado às baixas temperaturas e adormece-te a face, mas pode "aquecer a alma". Na chuva que cai torrencialmente, ou nos aguaceiros que se abrem do céu e tão depressa se fecham, que hidratam os solos sedentos e que aumentam caudais e que podem devastar locais, e que podem molhar e que molham mesmo! Caminha à chuva sem impermeável e com a pele à mostra e não te esquecerás do poder que tens, e nem te preocupes com os resfriados, olha para o céu e desfruta. Abraça o inverno como um tempo presente, um tempo de agora, um tempo de regeneração da vida, governada e adormecida, onde as sementes e os animais envoltos e presos pela camada geológica da terra, aguardam pelas temperaturas amenas e o doce ar primaveril.
Mas o inverno não dá descanso às árvores caducifólias, e depois de muito outono, ventoso e chuvoso, que as deixa completamente despidas, compreendo, claro que sim, pois, além de todas as respostas em relação ao ato de perder as folhas, também há um que quero referir, sim há, porque as copas sem folhas são como balões furados, e sem atrito às fortes intempéries, passam pelos ramos e raminhos mais facilmente, e não danificam tanto a a árvore. "Mas então e as árvores de folha perene?". Foi apenas uma suposição, um dos vários motivos por que as árvores de folha caduca perdem as folhas, mas também não se pode esquecer que as árvores de folha caduca são o mais altas em maioria, que as de folha perene, à excepção de pinheiros e coníferas, e ora bem, sim, estes também suportam as piores intempéries que se podem imaginar, seja no orla costeira ou no alto das montanhas, seja até em locais expostos.


Mas o inverno é um manto frio e gelado que absorve a paisagem de tal maneira profunda, e com uma mudança, perpetrante na vida dos seres mais fracos que sucumbem, naturalmente, com a mudança das estações ou os que, por não serem fortes o suficiente, também perecem sob as duras condições invernais! Não que a península ibérica tenha locais onde o inverno seja altamente rigoroso, até porque em muitas zonas, sobretudo planaltos nortenhos, altas serras e as cordilheiras, impõem desafios na vida selvagem que os superam com diferentes adaptações e biologias, algo dir-se-à, de natural!


Frio que entorpece, frio que arrepia de novo, frio das temperaturas negativas, gelado, nevoso, chuvoso, calmo num dia ensolarado aprisionado pelas geadas...
Viva o frio!



Felizes dias de amor, saúde e paz. Não há escala para a bondade, e esta nunca é demais, recordai o resto da vida, e não só neste dia. Todos são importantes, amem-se e amem o mundo, cuidem-se e cuidem do mundo! Ele vos recompensará!

by Rui Faria

As imagens acima, foram retratadas no espetáculo cenário natural no complexo de serras do Marão.



o verde, o musgo


Nos meandros do emaranhado desses ramos verdes e lenhosos, no sabor da claridade musgosa, oh que baga saborosa, que na imagem não aparece, mas não digo qual é essa baga gostosa, apenas vejo o verde do manto florestal e boscoso se me entranharem, e a luz da manhã clara se entranhar e se espalhar por todo o estrato e por todo o ambiente e entorno. Um retrato presente tridimensional abraçado e composto por toda essa matéria lenhosa, e com os lindos e belos tons verdes, que dizem ser da esperança, mas nem sempre se alcança, lindos tons esverdeados e pálidos, escuros e ou frios, no meio desses secos fetos que contrastam com essas cores, ora por certo... Verdes...
Ramos que se abraçam tatuados pela capa musgosa, e que capa! Diferentes espécies competem pela permanência nos ritidomas e materiais lenhosos ou geológicos, mas há uma que acaba sempre por se destacar e vencer tal competição. Vê a imagem, delicia-te com as curvas dos ramos...
by Rui Faria