Um olhar sobre a natureza do oeste peninsular, o meu olhar, com histórias e imagens, contos e pensamentos... Viagens...

Daboecia cantabrica


Fiquei surpreendido com a abundância desta urze nos montes graníticos de Este, a escassos quilómetros da cidade de Braga. Nas valetas da estrada nacional que sobe a serra, já me vinha cruzando com ela, mas é entre gigantescos penedos que a encontro em todo o seu esplendor e todos os exemplares se encontravam em floração. A flor é vibrante e de coloração chamativa, no seu auge, é fácil encontrá-la. 



Em finais de setembro.
by Rui Faria

onde está o astro?


Não importa, amanhã é outro dia! É sempre outro dia, diferente, podes crer que eles nunca são iguais!
Aí vem a noite, escura e fria, encanto e mistério, algo, em que nos vemos com medo, pela quase cegueira que esse estado nos leva! Outras criaturas surgem no manto escuro, é o bom dia para elas!
Nós também somos criaturas, não muito dadas para a noite natural, mas há os que preferem as "nights", que no final, não importa se é dia ou noite, em indoor, nem se dá pela diferença e só o relógio nos chama à razão! 
Então lá se foi o astro, no seu habitual ciclo sem fim à vista, deixando um bom momento presente, mas que em última análise corresponde a todos os tempos, enquanto a nossa memória for boa em recordações, são imagens como estas que nos acompanham pela vida fora! São sempre as pequeninas coisas que fomentam a felicidade, e a grandeza é muito difícil de abraçar. Nesta Wild Iberia, as pequeninas coisas, tornam-se gigantes, todos têm tudo e tudo tem nada. As pequeninas vivências, momentos e experiências são esperienciados por todos nós, mas verdade seja dita, muito pouco saboreados. Quem já viu o nascer e o pôr do sol no mesmo dia que levante a mão, pois, confesso que nem eu, mas não espero pela demora, e diga-se de passagem, com a ajuda da força de vontade, é algo muito simples de alcançar e um momento inesquecível! 
Nesta Wild Iberia, as paisagens são incríveis, diversificadas, com tanto para escutar, ver e aprender! Com tantas cores escondidas, mas à vista! Com tantas texturas para apalpar e suavemente percorrer os dedos pelas (atenção às más interpretações! hehe) diferentes geologias do meio, pelos diferentes tecidos florais imóveis, e pelo olhar imóvel da passagem do tempo!

Serra do Pilar (Vila Nova de Gaia)
Nikon P600.
by Rui Faria
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Obrigado a todos pelo carinho, pelo apoio, e por se deixarem embalar nas histórias, deste nosso cantinho!

"ovos de tubarões"


Com um pouco de paciência, e grandes caminhadas pela orla costeira, é possível dar de caras com estes estranhos invólucros. Criadas e expulsas por tubarões ovíparos, estas bolsas têm como finalidade, segurarem-se aos fundos marinhos, onde a cria poderá desenvolver-se tranquilamente, passado esse processo, e a cria ter abandonado o invólucro, este poderá ser arrastado por marés ou tempestades até ficar depositado nas praias.




Este acima já não é tão frequente encontrar quanto os invólucros negros!


Relas de Salreu


No verde dos juncos a Hyla arborea passa despercebida com a sua coloração garrida. É mesmo essa a sua intenção, e aqui nestas imagens poderá ser fácil pensar, que é garantido dar com elas à primeira vista, mas não é de todo o caso, no terreno é que o bicho pega! Por estarem tão confiantes na sua brilhante camuflagem, estas relas nem se movem, e nem o "olho piscam". Mas quando damos com elas, é impossível não sorrir, e pensar, "ha malandras, estavam, aí"!


Um pouco de percepção da anatomia deste belo anfíbio. Imagem acima e imagem abaixo.





Até nas folhas de salgueiro estas malandras se escondem tão bem, não se deixem enganar pelos contornos da imagem! Não são fáceis de detetar, mas claro que há observadores sobredotados, que dão com elas logo à primeira, não que eu seja um desses sobredotados, mas,...talvez....
Posto isto, é surpreendente a sua abundância nas zonas húmidas de salreu.

mãe natureza?


Natureza, desmontada em várias palavras, surge-nos num significado, muito mais amplo do que aquilo que é aparente, mas porquê mãe natureza?, quando na verdade é um conjunto de microorganismos ligados por uma corrente universal espalhada e abraçada, e que abraça o mundo! Uma teia interligada com uma aranha no centro, pensamos nós, mas antes uma teia sem dono nem líder, onde tudo se conjuga, onde tudo está interligado, e mesmo, quando a ganância humana faz desaparecer peças ou fios dessa teia, as interligações continuam a existir, apenas por fios maiores ou mais compridos. Certo que muitos desse fios acabam por sofrer rotura, algo que é inevitável em relações interdependentes. Pelo que o ser tem duas alternativas: ou extingue-se ou adapta-se, mas para muitos a extinção é o caminho mais rápido, fácil ou inevitável, mas não podemos esquecer dos tenazes, dos que enfrentam as intempéries, dos que resistem, fortes! Dos, que tal como a suposta aranha, quando vêem os seus fios quebrados, tecem outros!
Mas as paisagens ficam, com o sabor do tempo, sempre esventradas pela vida dos diferentes reinos, moldadas pela flora, e fomentadas pela ajuda e perpetuação da atividade da fauna.
Um pequeno pássaro, atraído pelas bagas reluzentes encarnadas, daquela bela árvore, vai ser o maior silvicultor, o mais honesto, pois as bagas encontraram boleia, boleia para outras paragens, outras terras e aí, enriquecer e aumentar de várias maneiras a biologia da dita árvore. Uma relação dependente, que não deixa escapar qualquer recanto que ainda não tinha sido vegetado. É como revolver a terra, e descobrir dias mais tarde, plantas a crescer, voltar a revolver a terra e o processo repete-se, pelo motivo em que estamos num momento do tempo em que não hã recanto nenhum que não seja dominado pelos seres vivos, e pouco a pouco estes espalham-se como um vírus mortal, mas benéfico, envolvendo as áreas inóspitas. Ora bem, os primeiros, os mais fortes, fixam-se, criando segurança e condições melhores para os seguintes, e seguindo por aí fora em patamar ou pirâmide, até chegar ao último ser, que tem a vida "facilitada", e aí voltando ao tema do meio, as coisas podem descambar, quando se vêem um ou mais patamares serem retirados dessa pirâmide, ou delapidados.
Mas, o Homem, não é o único interveniente negativo, ou positivo, como lhe queiram chamar, também, os próprios fenómenos naturais inevitáveis, podem deixar marcas nesses patamares, ou fazer derrubar a pirâmide por completo deixando, tristeza, sofrimento e um mínimo de esperança ou uma réstia.
Mas se os acontecimentos não abalarem a estabilidade, como é que os seres evoluem? A estagnação pode causar problemas a longo prazo e matar o que o primeiro ser, o primeiro ser tenaz, construiu, a ferro e fogo! Por isso a mãe natureza, dilui-se num mundo complexo, grandioso e fascinante, sempre infinito até à evaporação das coisas, materiais e imateriais!, orgânicas ou inorgânicas, vida ou morte!...

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31/3/2014, Paisagem adorável do vale do rio Tua, em breve danificada para sempre em nome do desenvolvimento humano, que para fomentar a crescente procura de electricidade, se deixa perder um encanto, moldado, desde os primórdios. Será que vai valer a pena? Será que cairá no esquecimento, derivado á distância que separa este vale das grandes metrópoles portuguesas, que tanto condenam ou apoiam este empreendimento?, a barragem de Foz Tua! e o rio nunca mais voltará a ser o mesmo!
by Rui Faria

Trail-Birds


Marcas impregnadas no sapal da costa norte, testemunhos da atividade de seres alados!
Uma apreciação e reflexão que o próprio leitor fará! 
Estuário do Cávado.

o Esquilo


Bem, a timidez não é um ponto fraco deste nosso amigo, mas paralisado, não me pareceu ter ficado. No entanto a curiosidade deste pequeno animal pareceu denotar-se. A escassos centímetros do solo, ali fica estarrecido, também ele e eu iluminados pelos raios solares. Mas o malandro leva algo na boca, e eu, compreensível que sou, não me aproximo demasiado, dou-lhe espaço, basta-me apenas o vislumbre numa paisagem onde tudo parece estar sempre imóvel! Curioso, porque a zona é constituída por uma monocultura de pinheiro-bravo, e o solo foi revolvido por maquinaria pesada, que deixou profundas marcas no terreno, mas este esquilo não se importa, com o grau de abertura do pinhal e as árvores jovens e os matagais rasos e pobres. Podemos dizer, que se ele está presente, é porque algo o sustenta!

Lagares, Penafiel - o Esquilo, Sciurus vulgaris.

by Rui Faria