Um olhar sobre a natureza do oeste peninsular, o meu olhar, com histórias e imagens, contos e pensamentos... Viagens...

Equinos, monte do Merouço


Não são garranos, e até podem ter sangue árabe ou outros, mas insisto, que o papel que eles desempenham na diversificação da flora é indiscutível ...


As notas que preencho em papel na observação destes animais são incompletas e o meu vocabulário escasso para vos explicar tudo aquilo que vejo e sinto nestas pequenas "manadas". Mas na interpretação da imagem acima por exemplo, posso vos dizer, que só a sua acção contínua, permite a entrada das herbáceas e gramíneas por entre os matagais de Ulex, e o resto vem por catadupa, os trilhos que criam e os aracnídeos que ganham corredores de caça para ás suas teias e os mamíferos de pequeno porte, vêem as suas áreas de caça ou alimentação "melhoradas".


Super floração de Ulex minor de permeio com Pteridium aquilinum.


No ano passado 5/8/14   by Rui Faria

tipologia de um barranco


Moura (são joão batista), local diferente aos que estou habituado cá no norte, até num esquema de precipitação mais violento e repentino, penso que na sua maioria responsável por este grande rasgo com 20 a 30 metros de comprimento. Tudo começou com um pequeno trilho serpenteando pelo campo diagonalmente, que com o passar dos anos por acção de chuvas fortes se foi aprofundando, criando um mini canhão, como se um gigante tivesse arranhado o solo, mas será mesmo esta explicação assim tão simples? Bem, tenho consolidado cada vez mais que o simples ou a simplicidade parece reinar no mundo, mas tendo sempre uma complexidade grande que responde ao nosso hábito de detalhar eventos ou algo, sobretudo com uma grande variedade de palavras!
Curioso como sou, consegui encontrar flora específica que se acantonou nas paredes íngremes desse rasgo e cogumelos no outono e também vestígios das andanças de pequenos mamíferos curiosos.


cartaxo e a alvéola



Por segundos são inseparáveis!


Mas no fundo cada um tem um propósito!

Saxicola rubicola e Motacilla flava.
Dunas de Silvalde, by Rui Faria

fósseis-belemnites





Estes fantásticos animais prê-históricos (Belemnoidea), marinhos, e muito semelhantes ás lulas modernas, carnívoros na sua época, alimentavam-se de peixes e invertebrados marinhos, proporcionalmente ao tamanho de uma espécie em particular, das quais seriam várias. O período carbonífero viu nascer e contribuiu em certa medida para a proliferação destes seres durante centenas de milhões de anos até à sua extinção a par da dos dinossauros, presumindo as ainda escassas informações que possuímos sobre esse último evento. Um facto curioso é que ao contrário das lulas que estamos habituados a ver, estes não possuíam ventosas, em vez disso teriam uma série de ganchos, certo que suficientes e/ou diferentes para o tipo de presas que capturavam!, algo futuramente aprimorado com o tempo ou evoluído em espécies paralelas e/ou primas!

E tudo isto mesmo à superfície dos espantosos calcários em forma de placas deitadas da serra da boa viagem, repleta de fósseis de animais, plantas e vestígios de dinossauros, uma grande e completa secção estratigráfica diria eu! De facto, o mais interessante, como dizia ao princípio, é pelo facto de todos estes fósseis estarem incrivelmente visíveis e não ser necessário escavações, as observações diretas bastam, e as fotografias registam e complementam o estudo para quem é aficionado por seres prê-históricos. A apanha é condenável e altamente danificadora deste nosso património único, um promontório quase peninsular com uma beleza sem igual!!!

belemnites: corpo inteiro e "corte anelar"
by Rui Faria, em a magnífica serra da Boa Viagem!...


viva os escaravelhos! C. arietis

Clytus arietis
Nas dunas de Silvalde, a sul de Espinho, os depósitos ilegais de toda espécie, entulhos, terras e desperdícios da jardinagem por certo trouxeram este exemplar de Platanus que vegeta nas areias planas, de tal forma, que parece espontâneo. Foi nas suas folhas que encontrei este espantoso escaravelho, o Clytus arietis da família Cerambycidae.

rio corgo -expedition


Não foi propriamente um lugar previamente pensado, porque o que tinha em mente para este dia era novamente a região de foz tua, mas deixei-me ficar pelo rio Corgo, mais precisamente a centenas de metros a montante da sua foz no rio Douro. Deixei-me ficar por aqui pois tinha a intenção de descobrir ou redescobrir (para o caso de ser conhecido o que mencionarei à frente) se o Buxus sempervirens existe por aí dado haver reunidas todas as condições em todas semelhantes às do rio Tua. E de facto não saí decepcionado e encontrei vários exemplares acantonados num único sítio possível à sua existência neste vale, uma plataforma rochosa, em tudo idêntica ás do rio Tua, que é submersa apenas por ocasião de cheias muito violentas, algo que certamente não acontecerá todos os anos. Apesar de agora no final de Julho apresentar um caudal suave e calmo, verdoso e escuro devido à lentidão com que faz o seu percurso, é um rio que pode ser revolto quando as nuvens carregadas de humidade desabam sobre a região e concelhos limítrofes, aí continua o seu contínuo processo de erosão que leva ás formações rochosas íngremes do lado direito do rio, 

Buxus semprevirens - fruto expondo as sementes


A amálgama de frutos que recolhi, alguns deles comestíveis, indica a extraordinária variadade de flora indígena do local. Faltou aqui o fruto da gilbardeira Ruscus aculeatus, por um motivo, havia poucos exemplares e os seus frutos ainda estavam verdes! Essa planta prefere zonas mais frescas e sombrias, vegetando até junto ás margens do rio, uma planta relativamente comum em diversas zonas boscosas ou sombrias por toda a zona atlântica em maioria, embora também pode ser encontrada noutros locais mesmo mediterrânicos!

 

A geologia local é impressionante, com texturas polidas e revestida por uma miríade de diversas espécies de líquenes. A Salix salvifolia reina quase sozinha em toda a extensão de ambas as margens, de ramagens densas e troncos rasos e inclinados, refletindo a dinâmica do habitat onde estão inseridas!

Um guarda-rios espreita num ramito daquele salgueiro, tentando emboscar um pequeno peixe!
A meio da tarde um melro-de-água esvoaça rente ás águas em direção a montante num voo simples e direto emitindo um som característico!
E mais maravilhas aguardam por este belo rio Corgo,...

by Rui Faria

Lua e céu



Estes foram os céus nortenhos dos últimos instantes do final de uma tarde.
O nosso companheiro, o nosso satélite!


by Rui Faria (Porto/Oporto- Portugal)