Um olhar sobre a natureza do oeste peninsular, o meu olhar, com histórias e imagens, contos e pensamentos... Viagens...

encantos de um musgo


Conhecer as serras de portugal catalogadas num livro de geografia está ao alcance de qualquer um, em facto, até os há que já pisaram o topo de todas elas mas na verdade é humanamente impossível conhecer os recantos e encantos de cada lugar, era preciso uma vida inteira dedicada a uma escolhida ou "herdada", num modo de vida tribal que permitisse dizer, sim, conheço este lugar como a palma das minhas mãos. Mas eu, tão jovem que sou (26 anos) já tanta terra percorri, e confesso que pouca atenção presto à palma das minhas, mas na verdade nem tenho o direito de dizer que conheço o que gentilmente contesto ou não! Mas a vontade de descobrir, de me embrenhar em locais que poucos ou nenhuns humanos ainda viram leva-me a imagens como esta. Mais ainda por querer uma imagem, ás vezes esqueço-me de me aprofundar no sítio, ou, na maior parte das vezes considero-me um factor de perturbação em que retiro dali apenas um pedacinho na forma digital.
Este cantinho especial, fruto da descida de um regato pelo granito, afunilado pelas paredes lisas cobertas de musgo, e os pequenos fetos que já encontraram bom solo, ou solo suficiente para se fixarem, ...

um pouco de flora dunar


Estas plantas gostam de espaço, gostam dos solos soltos, da areia portanto!


Uma dedicação às gramíneas, porque no resto do ano chamamos-lhes ervas, logo nesta época primaveril vai sendo interessante diferenciar as diferente espécies, que são muitas! Esta prefere estes areais a escassos centenas de metros das dunas primárias.


Barra de Mira, flora dunar by Rui Faria

dunas e troncos

Os troncos de madeira não se separam da areia dourada, o estorno que ali cresce baloiça com o vento na direção que ele manda. A areia é como um massajador nas mãos e cada grão é uma energia que penetra a nossa pele branca ou negra. Dolorosas são as nossas pegadas impressas na areia, invertendo temporariamente o estado de solidão da praia. Pisamos a crosta das areias intocadas e é como se uma floresta se derrubasse.



Pela proximidade em que me encontro da costa atlântica, é para mim um lugar intensamente explorado no que toda a todos os componentes naturais e que variam consoante a época do ano. Os insetos autóctones são um regalo e as adaptações da flora evocam os desertos remotos. Infelizmente torna-se uma batalha constante quando chega o tempo quente e faço expedições nas dunas costeiras! Eu não sei qual é a opinião da maioria das pessoas, para mim nem me importa aquela pessoa pacata que toma o seu banho de sol pacientemente na areia e dá uns mergulhos, ou um grupo de amigos que se vem divertir na praia, ou uma família que vai descontrair do stress citadino, o que me faz confusão é o outro grupo de pessoas dos quais os nomes categóricos prefiro não mencionar aqui, que elevam a perturbação a um nível absurdo!, mas enfim foi só um desabafo e com grande sacrifício lá tenho que ignorar certas "situações",...
No fim de contas as dunas costeiras são lugares muito especiais, pelo espaço aberto que representam e pela resiliência das plantas que as fixam! 

Oenanthe globulosa


Nos sapais da ria de Aveiro. Grandes populações desta bonita planta com flores em forma de globo.
Já conhecia esta planta na forma dos seus caules carnudos, mas agora prestei-lhe atenção, devido ao facto de ter andado à procura no baixo Vouga lagunar de uma outra planta ao que parece extremamente rara, das mais raras da península ibérica, a Avellara fistulosa. Foram 5 dias quase consecutivos, em que percorri dezenas de quilómetros pelos habitats mais promissores onde a planta poderia vegetar, mas sem sucesso (mas ainda ficaram alguns por explorar, como é óbvio seria impossível bater todas as zonas húmidas desta região em apenas 5 dias!).
 Vou então decompor uma breve descrição dessa planta, que tem uma flor amarela semelhante aos dentes-de-leão e um conjunto de folhas que lembram os alhos ou o cebolo, a própria planta destacar-se-ia na zona húmida, porque além dos ranúnculos de flor amarela, não existe outra planta que possa "atrapalhar" a busca por esta, as demais, como essa Oenanthe são de flor branca ou rosa, podendo até com alguma sorte ou azar aparecer Leontodon, (outra asteraceae de flor amarela mas de folhas peludas espalmadas e levemente recortadas) mas este já aparece alguns centímetros mais acima da zona ideal da avellara. Sim, isto porque em zonas húmidas costeiras como a ria de aveiro, a altura dos solos mede-se em centímetros!, comprovem!, basta um bocadinho alto ou um bocadinho baixo, e as espécies mudam logo!
Em todo o caso na pior das hipóteses poderia já ter passado a sua floração, o que terá ou teria tornado a tarefa de encontrá-la hercúlea! Numa outra hipótese mais triste é o facto da planta já poder estar extinta (Oxalá que não!)
Em todo o caso mais uma vez, a busca infrutífera por essa planta permitiu-me pôr o olho em outras demais, que de outra forma não teria oportunidade! Mais uma vez e outra vez pude comprovar que em alguns campos com uma certa influência extensiva de equídeos, o coberto vegetal é mais rico e variado, derivado naturalmente a 3 fatores, o seu apetitte insaciável, o pisoteio, e naturalmente os seus excrementos que enriquecem os solos. 

Fica então para o próximo ano uma busca mais intensiva e detalhada pela Avellara, isto se não tiver a sorte da encontrar por acaso nas próximas expedições, ... Anseio por tal ....

grande sanguinho


Não é fácil nos dias de hoje visionar outras árvores, diga-se de porte arbóreo significativo, que não as exóticas, carvalhos e pinheiros, mas em alguns sítios resguardados, e salvos dos machados e moto-serras, conservam-se grandes exemplares arbóreos de espécies mais pequenas, relíquias do que seria o bosque primevo do oeste atlântico. Este enorme Frangula alnus no vale do couce, é um exemplo disso, prova de que o sub coberto arbóreo seria mais rico do que se pensa. Mas não é o único, porque isto de vasculhar territórios usando a máquina do google earth tem os seus encantos, e por entre dois gigantescos penedos numa encosta granítica em Rendufinho, encontrei o maior exemplar que alguma vez havia visto! Com um tronco mais grosso que ao meu tronco (tamanho 44, hehe!) só o descobri porque a sua folhagem espreita acima da rocha imponente. O tronco espectacularmente rugoso e em parte coberto de musgo na base e envolto por uma relativa densidade de caules de Rubus sp, sombreado, oferece refúgio á variada fauna que ainda habita estas paragens.
O da imagem vegeta numa encosta fresca junto a um regato ao lado de um caminho, acompanhado por carvalhos jovens a escassos metros do rio ferreira.


aracnídeo no carvalhal


Saio do campo com os joelhos doridos de tanto me abaixar á procura de pequenos seres vivos, mas é escusado dizer que vale sempre a pena! De facto não é fácil encontrar estes seres, sobretudo dependendo da sorte, que é na verdade o que costumo fazer, mas sempre com uma dedicação ampla a todos os grupos de seres vivos. Comecei a observar aves, gosto aliás que nunca perdi, e com o renascer da fotografia, fui-me aprofundando no mundo dos insetos e cada espécie é uma surpresa, as suas cores e hábitos... Então aqui fica o registo deste belo aracnídeo!!!
Bosque de carvalhos Fafe, rio vizela.

época dos himenópteros


O caminho foi completamente ocupado por este pequeno himenóptero.



O solo margoso é excelente para abrir as pequenas tocas aqui em Covão do Lobo.
Em ambas as imagens podemos ver uma planta deveras interessante e pouco comum, a Leuzea longifolia.