Um olhar sobre a natureza do oeste peninsular, o meu olhar, com histórias e imagens, contos e pensamentos... Viagens...
grande carvalhal!
Um dos maiores carvalhais de Quercus robur da europa vegeta no concelho de Fafe, principalmente nas serras de Aboim, Lagoa e Gontim.
A imagem, retrata apenas uma pequena percentagem da magnífica extensão deste gigantesco carvalhal. Rasgado nalguns pontos por estradas de acesso ás povoações, ameaçado por incêndios constantes e em menor parte pelo corte de árvores para lenha ou carvão, este carvalhal é sem dúvida um segredo bem guardado!, no que toca á rica fauna e flora.
Na imagem, no canto superior direito e ao lado da floração amarela dos tojos, essa mancha cinzenta é de carvalho-negral Quercus pyrenaica, que nestas montanhas ainda não atingiu um porte arbóreo significativo, além do mais essa área foi recentemente afetada por um fogo (ou queimada?).
Neste local dá para imaginar como estariam essas serras graníticas, repletas de blocos graníticos de formato redondo, também conhecidos por caos de blocos, por esse país fora, mas que aqui estão rodeados de um exuberante carvalhal de sub-bosque de Pyrus sp. abundante!
Porque este lugar não se encontra na rede de áreas protegidas? Porque continuamos a ignorar áreas, que podem não ser prístinas ou intocadas, mas que com o passar dos anos recuperaram o seu esplendor?
Este lugar teria todas as condições para ser um parque natural rico e diversificado! Como costumo dizer, a mata de Albergaria está para este lugar como os pais estão para os filhos!!
carvalho de calvos
Anterior aos descobrimentos este imponente Quercus robur cresce majestoso no conselho de Póvoa de Lanhoso. Não existe imagem alguma que faça jus ao gigantismo deste belo carvalho. Ele próprio constitui um micro habitat para algumas espécies de flora, nomeadamente fetos, musgos, líquenes e uma panóplia de invertebrados.
Sou insignificante a teus pés meu grande rei carvalho, os meus 27 anos são insignificantes perante os teus mais de cinco séculos... Como pode um ser vegetal resistir tanto tempo pelo tempo?... Quantas e tantas histórias de vida se abraçaram no teu entorno, quanta vida e morte nasceu e morreu nos teus braços e nos teus grossos ramos que eu queria abraçar e quantas lutas pela sobrevivência terão-se perpetrado pelo teu tronco lenhoso... Oh tantas questões para ti meu velho ancião, que mesmo que as tuas folhas lobadas sejam iguais ás de outros carvalhos, para mim são diferentes, especiais e nostálgicas, são como o despertar anual de nova vida num ser antigo sem fim à vista...
Tamanho imponente e gigante que me deixa sem palavras e me causa admiração e palavras que ainda não existem, e como eu queria te abraçar e sentir a magia de eras passadas e tempos remotos, tu que engalanas a minha mente de uma miríade de deslumbrantes histórias e contos que só o tempo e o clima as faz desvendar na pureza e totalmente despidas. De tronco forte e rugoso cravado neste solo granitíco tal e qual a pedra que sofre erosão, tal e qual o xisto que delapida, mas é o granito que as tuas raízes fortemente se cravam e buscam minuciosamente a fonte de água pura que se entranha e vem deste clima atlântico que propicia o teu agigantamento. Por fatores com intenção ou fruto do próprio acaso mas também de alguma sorte, sobreviveste durante tanto tempo ali preso, num lugar e sempre vulnerável a tudo e a nós, mas ano após ano, revives o esplendor de uma copa ricamente folhada e o cantar dos passeriformes que saltitam os abundantes ramitos ou a panóplia de nichos que proporcionas desde a base até à copa.
E são invertebrados e muitos, de diferentes espécies que te procuram, e os esquilos que se divertem tronco acima e tronco abaixo, acrobatas efémeros e saltitantes constantes, curiosos e complementos de ti carvalho... Carvalho-roble, o único gigante sobrevivente, a única lembrança de um bosque encantado e antigo ou a esperança de um dia ainda o ser, rodeado por os seus semelhantes, rodeado de pequenos carvalhitos, rodeado de vida numa gigantesca floresta hipotética... Preciso de te ver na chuva, preciso de te observar no sol, preciso de sentir o teu cheiro na noite e mirar o reflectir do luar em teus ramos ou o pano de fundo estrelar passando pela tua copa despida de inverno, preciso de absorver o vento que chocalha os teus ramos resistentes nas intempéries intensas, ventosas e chuvosas, mas no final também do calor tórrido, e claro nas temperaturas frescas e amenas que tanto aprecias...
O grande carvalho-alvarinho Quercus robur, o magnífico carvalho de Calvos.
by Rui Faria
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