Reza a lenda, que um grande réptil feroz, vencido pela guerra com o deus unicórnio, foi condenado a vaguear pela terra, envergando para toda a eternidade o intenso azul do céu na sua cabeça, como sinal da sua derrota. Ele, o deus, ordenou que o seu corpo verde guerreiro envereda-se um tom especial do seu reino. Nada melhor e mais vibrante que o azul ciano, nada mais puro e mais belo que essa cor maravilhosa e dominante, que avisará qualquer réptil ou viajante da sua inevitável derrota com o deus unicórnio. E ele, réptil feroz, ostentará esse ornamento enquanto a punição terminar e eternidade tiver fim.
Pois sem histórias, a humanidade não se teria desenvolvido, nem havia conhecido, tamanha beleza e animal místico que o nosso lagarto-de-água. Uma jóia preciosa da península ibérica, que deveria ser escrupulosamente protegida, amada e respeitada, como um ser exuberante e exótico, uma herança de tempos antigos, que hoje caça em terrenos húmidos e junto a cursos fluviais. Nem sempre é fácil encontrá-lo, e às vezes quando se encontra, a mistura de azul com verde é tão inebriante, que a admiração é o primeiro ponto a sentir.
Por favor: NÃO cortem a vegetação autóctone ribeirinha... A nossa jóia necessita dessa vegetação para caçar ou comer os seus alimentos favoritos...