Um olhar sobre a natureza do oeste peninsular, o meu olhar, com histórias e imagens, contos e pensamentos... Viagens...

Quercus broteroi, folhada húmida


Há algo que me atrai nas folhas de carvalho... Não importa a espécie, não importa a proveniência, só preciso de as ver, caídas dos seus ramos, naquele tom acastanhado, que já foi amarelado, que já foi verde... 
São as diferenças do norte para o sul no tamanho da folha, são as cores que se mudam com as estações, é a mística invisível que as acompanha, desde o nascimento na primavera até à sua queda no outono ou no inverno.
São os carvalhos, e as suas folhas ornamentais...

Mini coleóptero com listas e buracos


Encontrar insetos é sempre entusiasmante, nunca sei o que há-de aparecer, nunca sei que formas e cores irei ver, mas no final de contas sou sempre surpreendido mesmo que já tenha visto insetos parecidos, e mesmo que me esqueça com o passar dos tempos, será sempre surpreendente. Este diminuto coleóptero, será por certo um caso desses. Com um tamanho menor que dois milímetros, supera-se maior que a lente na ponta de uma ervita, e revela-se um pequeno ser calmo e tranquilo ali pousado ao sabor das temperaturas suaves do começo deste inverno e deste dia em geral nublado. Junto a uma linha de água, em vegetação herbácea daquela que é muito comum e que se desenvolve pujante, não só por isso mas pela bordadura de um campo de cultivo próximo, lá estava ele, uma pequena mancha preta num grande mar de verde verdejante, e de um solo com pedacinhos de folhas de salgueiros, vindas de uma pequena galeria caducifólia e entrelaçada.
Mas o propósito é esse diminuto escaravelho que me impressionou com a textura do seu corpo, uma alternância de um padrão riscado de cima para baixo que já conhecia neste tipo de animais, com aqueles buracos simétricos até à cauda. Adoro, e é aquele dizer que me vem de nunca ter visto isto... Gostava de saber mais...


Um lugar que ainda conserva uma essência de campo...

Campo Raso, Sintra
By Rui Faria

Alfavaca-dos-montes "exótica"


Se me perguntassem qual ou quais das plantas eu achasse que teria um exotismo de outras paragens longínquas, eu diria que uma delas seria concerteza a Erophaca baetica ssp. baetica. Talvez por ser do norte e não esteja habituado a uma vistosidade e exuberância destas fora do habitual. Só mesmo aqui no sudoeste da europa, depois de percorrer os meandros dos matagais, é que esta planta surge acantonada com outras e arbustos, com as suas abundantes folhas simétricas, perfeitamente alinhadas, e com uma bordadura peluda, que parece que o fotógrafo exagerou na nitidez, ... na composição...


As flores até podem nem ser altamente coloridas nem garridas, mas vêem-se a quilômetros de distância, já para nem falar das vagens, esses grandes sacos de sementes, que nem o verde os faz ser discretos.


O azul do lagarto-de-água


Reza a lenda, que um grande réptil feroz, vencido pela guerra com o deus unicórnio, foi condenado a vaguear pela terra, envergando para toda a eternidade o intenso azul do céu na sua cabeça, como sinal da sua derrota. Ele, o deus, ordenou que o seu corpo verde guerreiro envereda-se um tom especial do seu reino. Nada melhor e mais vibrante que o azul ciano, nada mais puro e mais belo que essa cor maravilhosa e dominante, que avisará qualquer réptil ou viajante da sua inevitável derrota com o deus unicórnio. E ele, réptil feroz, ostentará esse ornamento enquanto a punição terminar e eternidade tiver fim.

Pois sem histórias, a humanidade não se teria desenvolvido, nem havia conhecido, tamanha beleza e animal místico que o nosso lagarto-de-água. Uma jóia preciosa da península ibérica, que deveria ser escrupulosamente protegida, amada e respeitada, como um ser exuberante e exótico, uma herança de tempos antigos, que hoje caça em terrenos húmidos e junto a cursos fluviais. Nem sempre é fácil encontrá-lo, e às vezes quando se encontra, a mistura de azul com verde é tão inebriante, que a admiração é o primeiro ponto a sentir.
Por favor: NÃO cortem a vegetação autóctone ribeirinha... A nossa jóia necessita dessa vegetação para caçar ou comer os seus alimentos favoritos...

Melitaea voa, trevo branco fica...


Embora fosse intenção imortalizar a Fabaceae em questão, a magnífica borboleta da família Nymphalidae também aí ficou, o seu bater de asas, e a forma elegante com que se desloca pelo ar.

Crânio de Erinaceus europaeus


Foi na Reserva Natural das Dunas de São Jacinto, que este ouriço-cacheiro perdeu a vida devido a causas naturais ou doença, deixando para trás depois de uma limpeza pelos seres necrófagos, os espinhos e o seu típico crânio. De salientar os impressionantes incisivos, necessários para um predador insétivoro por excelência.


Terra dos Carvalhos - um alvarinho gigante


Apesar de não aparentar grande qualidade de imagem, este gigantesco carvalho-alvarinho foi muitas vezes uma cancela de passagem que me barrava sempre o caminho naquela estrada de acesso ao coração das serras do Gerês. Como é possível tamanha espécie de árvore atingir tamanho tão belíssimo, cada tronco, cada ramo cada folha, cada textura do seu ritidoma e o musgo que a acompanha... simplesmente belíssimo...  Mas não só é o seu tamanho que impressiona, mas o facto de albergar tantos seres vivos diferentes, tanto, que é difícil enumerar. Quantas espécies de briófitas e pteridófitas alberga este majestoso ser, quantos líquenes, e invertebrados?, ui... sem contar a passagem de pequenos mamíferos, e os símbolos dos Quercus, os chapins...
 Tenho saudades daquele carvalho que me embalava pelas ricas manhãs viajadas, em plena Terra dos Carvalhos, do seu ar imponente,...