Como uma baleia de água doce, a pedra de água aguenta-se firme à maior chuvada dos últimos anos, qual ribombar de águas crepitantes, que em velocidade acelerada, se aproximam da dita rocha, e se esvaem, qual liquído precioso, límpido e charmoso, que nunca mais irá ver a nascente, mas que viverá, eternamente, no mar...
Um olhar sobre a natureza do oeste peninsular, o meu olhar, com histórias e imagens, contos e pensamentos... Viagens...
Pedra de água
Como uma baleia de água doce, a pedra de água aguenta-se firme à maior chuvada dos últimos anos, qual ribombar de águas crepitantes, que em velocidade acelerada, se aproximam da dita rocha, e se esvaem, qual liquído precioso, límpido e charmoso, que nunca mais irá ver a nascente, mas que viverá, eternamente, no mar...
O pequenino cogumelo dos robles
Naqueles dias, em que a chuva molhou a terra grandiosamente, e fez emergir, os frutos de uma nova geração, os Carvalhais, abençoam, quem por bem vier, e quem sabiamente souber aprender, que nem sempre se olha para as coisas grandes, com um olhar devorador, e rápido... Uma paragem no bosque, olho para baixo, ajoelho- me, e um novo mundo aparece... os pequeninos cogumelos, aqueles a quem eu humildemente chamo de cogumelos pé de agulha ( onde terei eu ouvido isso?! ), e então por entre as folhas do mágico Quercus robur e suas bolotas recém caídas, lá está o objeto da minha admiração, aquele pequenino cogumelo... dos robles...
Regeneração de Salix arenaria pós fogo
Acho que o tema fogo, nunca foi tão controverso como nos últimos tempos cá no país, e são centenas de estudos, textos, comentários em redes sociais, e bate bocas, um pouco por todo o lado. Uns na mesma direção em busca da verdade, ou melhor em busca da realidade, outros, debatem-se uns contra os outros, disparando mentiras e invenções, outros, são atacados sem dó nem piedade, na sua tentativa de desmistificação... Certo é, como as coisas andam, pelos vistos preferimos mesmo megaincêndios. Eu cá até os "dispensava" sejam grandes ou pequenos, mas o facto, é que eles aparecem mais tarde ou mais ou cedo, quer queiramos quer não, faz parte da paisagem, na nossa paisagem mediterrânica. Agora, sem dúvida, que se em vez de termos pequenos incêndios, cíclicos, bem "geridos" em vez de megaincêndios, as coisas já estariam bem melhor encaminhadas, e para esse ponto, já existem vontades e soluções, que creio fazerem parte do pacote de pessoas constantemente atacadas, como havia falado em cima. Como alguém disse não há soluções milagrosas, mas sim, é possível reverter o abondono das terras, e a falta de gestão, a que uma boa parte do país foi votado. Como faremos? ...
Por último e porque o elemento principal até seria o salgueiro-anão Salix arenaria, se não me desviasse numa intro de reflexão, mostro então, a regeneração de um exemplar numa vala da extensa mata dunar de pinheiros das Gandâras de Mira, em boa parte consumida pelos fogos de Outubro de 2017. Os meses passam, e o negro da vegetação, foi dando lugar, a nova vida, novos rebentos, novos desafios, mais biodiversidade?, e sobretudo uma paisagem diferente...
Os bullatus
Os primeiros Ranunculus bullatus já florescem por entre os lapiás calcários do interior das terras de Sintra. Sempre impressionante e espetacular, o simples facto de numa região onde as flores se obrigam à primavera, esta quebra as velhas regras, e floresce em pleno outono, quando a chuva copiosa é mais presente, e o frio tépido é seu irmão. Logo que cheguem os dias ensolarados da estação, a multiplicação dos bullatus far-se-á de maneira explosiva, em locais propícios e especiais, mas sempre no sopé da "rocha mãe", o senhor calcário.
O pequeno cogumelo azul das acácias
São raras as exceções no que toca a elementos exóticos na composição das imagens que faço, e esta é uma dessas. Ignorando as folhas da Acacia longifolia, e isolando este magnífico fungo, registo a imagem de vários ângulos diferentes, pouco me importando desta vez com a presença dos então supostos elementos exóticos. Mas é isso mesmo que a palavra exótico traz consigo, a beleza de outras paragens, que nem sempre se enxerga como devia ser.
E até as pequenas plântulas da exótica australiana crescem viçosamente às barbas de outros exemplares da mesma espécie do cogumelo em destaque.
Se por um lado, a problemática de exóticas em Portugal pode ser um problema, por outro lado, são essas, que em certos casos, dão "casa" a numerosas espécies de seres vivos, ainda que o facto seja constantemente negado por razões diversas, e no entanto posso constatar que por vezes são até lugares mais "ricos".
A espécie é designada por Clitocybe odora. Identificação cedida por José Andrade.
Musgo globular dos interstícios
Para descansar no banco de madeira depois dos afazeres habituais da horta, mesmo por cima de pedras de calcário, que dispus aleatoriamente, de forma rústica e natural num pequeno pedacinho de terreno, que serve como plataforma de observação do espaço, e de apoio à horta e às plantas silvestres que aparecem sazonalmente, e que gentilmente acolho. Costumo lhe chamar a calçada romana, tão rústica, que por vezes com o nosso peso, elas saltam, e já nem se encaixam mais, deixando o tal interstício maior. É nesses interstícios rústicos e pisoteados que se desenvolve no inverno esta minúscula briófita, com um aspeto muito diferente dos demais musgos que atapetam troncos e rochas, mas que aqui ganham um espaço, onde se mostram esses magníficos globos em forma de "bufa".
Centaurium, a flor rosada
Os taludes calcários de Montelavar são da preferência desta espécie de Centaurium, e como tal, gosta de se exibir em diferentes tamanhos, consoante a particularidade do solo, e a maturidade, tal como vemos na imagem. Não forma maciços grandes, mas antes, divide-se pelos prados de forma isolada, ou em grupos de escassos individuos. São várias as espécies deste género de flores rosadas atrativas, mas nem sempre fáceis de destrinçar. No entanto isso também pode ser empolgante e misterioso, porque dessa maneira, acabo por dar mais valor aos diferentes tamanhos e formas que acontecem naturalmente dentro desta mesma espécie, e que têm um reduzido interesse e valor taxonómico.
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