Um olhar sobre a natureza do oeste peninsular, o meu olhar, com histórias e imagens, contos e pensamentos... Viagens...

Musgo globular dos interstícios


Para descansar no banco de madeira depois dos afazeres habituais da horta, mesmo por cima de pedras de calcário, que dispus aleatoriamente, de forma rústica e natural num pequeno pedacinho de terreno, que serve como plataforma de observação do espaço, e de apoio à horta e às plantas silvestres que aparecem sazonalmente, e que gentilmente acolho. Costumo lhe chamar a calçada romana, tão rústica, que por vezes com o nosso peso, elas saltam, e já nem se encaixam mais, deixando o tal interstício maior. É nesses interstícios rústicos e pisoteados que se desenvolve no inverno esta minúscula briófita, com um aspeto muito diferente dos demais musgos que atapetam troncos e rochas, mas que aqui ganham um espaço, onde se mostram esses magníficos globos em forma de "bufa".

Centaurium, a flor rosada


Os taludes calcários de Montelavar são da preferência desta espécie de Centaurium, e como tal, gosta de se exibir em diferentes tamanhos, consoante a particularidade do solo, e a maturidade, tal como vemos na imagem. Não forma maciços grandes, mas antes, divide-se pelos prados de forma isolada, ou em grupos de escassos individuos. São várias as espécies deste género de flores rosadas atrativas, mas nem sempre fáceis de destrinçar. No entanto isso também pode ser empolgante e misterioso, porque dessa maneira, acabo por dar mais valor aos diferentes tamanhos e formas que acontecem naturalmente dentro desta mesma espécie, e que têm um reduzido interesse e valor taxonómico.

Grande longicórnio


Para que servem as longas antenas... E as cores... Mundo dos coleópteros, e dos longicórnios...

Lonicera, a primeira flor


Lonicera, e a sua flor, que desabrochou como a primeira, rodeada pelos abrunheiros, por esse espetáculo de flores brancas.

Madeira morta, entrada da xilofagia


Sempre procurei em cada zona florestal, um pedacinho de madeira morta, onde pudesse observar uma microfauna diferente, a chamada fauna xilófaga. Se no outono os cogumelos são os "frutos" de tais madeiras, na primavera, por exemplo, são os invertebrados de diferentes ordens que dominam a xilofagia.
Desde sempre a madeira foi um recurso muito utilizado, pelo que é "inadmissível" a presença de árvores mortas durante muito tempo, e sobretudo fora de áreas protegidas, bem como áreas de "gestão", em resultado disso, rareia, precisamente aquela microfauna que procuro.
Felizmente, já encontrei troncos mortos, em ambiente florestal de Quercus faginea, coisa rara, por estas bandas, e isso sim, é para mim uma preciosidade.
Floresta com árvores mortas, índice de biodiversidade maior!

A imagem acima, retrata, não uma árvore morta tombada, mas antes, morta de pé. Um pinheiro-bravo, que sucumbiu após vários incêndios. 

Em breve, (deslumbrante vida selvagem lusitana)

Tenho andado ausente deste espaço desde à muito por várias razões, mas espero poder em breve aqui regressar, e partilhar, tudo aquilo que tenho visto nas terras bravias deste canto oeste da Wild Iberia...

De momento, entre outras coisas, tenho-me debruçado nas diferenças foliares dos diferentes carvalhos da Estremadura. A tenaz persistência do Quercus faginea, e presença fugaz do Quercus pyrenaica. A serra de Sintra é o solar dos carvalhos, uma reunião deslumbrante... etc.
Até breve...

castanheiro e o ribeiro


O castanheiro, em solos onde dominava o carvalho-negral, continua a ser um atrativo biodiverso. Os cogumelos são diferentes, bem como a fauna entomológica. A rocha, predominantemente de origem magmática, continua a ser delapidada, para engrossar, estes solos serranos.
Serra da Cabreira