Um olhar sobre a natureza do oeste peninsular, o meu olhar, com histórias e imagens, contos e pensamentos... Viagens...

pontos lenhosos


São os quatro, voltados geograficamente, para todos os cantos, e tantos e tantos ventos e incêndios, sob a forma de fogos, que nas pequenas pontas, "encarvoadas", irão regenerar, e tentar, que os ventos predominantes, não sejam fruto de mais um despojar de caules e folhas.

flora dunar do guincho


As bonitas plantas dunares, que são como são, e fixam o solo arenoso, vibrante e salteador, com a certeza do lugar onde estão, e a proximidade com o mar e a linha de costa. Composição contrastante, com tantas e tantas espécies, crescendo num lugar básico e revoltoso. Assim o é o Guincho, num passar constante de dias ventosos, sucedendo a tempestuosos, sem perder a magnífica noção da autenticidade diária, e a diferença visível que marcam esta região.

Um pouco do coberto dunar da flora secundária da duna no Guincho.
by Rui Faria, MR.

encosta sem árvores


Quero uma linha de árvores, ou uma simples árvore para a minha encosta, queria um pinheiro, um carvalho ou medronheiro, só algo que me desse sombra, e que protegesse aquela planta que se foi embora, que partiu naquele incêndio de verão e deixou-me ainda mais erma, minha bela encosta, de matagais de urzes e muitas outras, profunda e íngreme, queria, e pedia, uma única árvore,... das da tua encosta... ainda com sombra,... ainda com desejos...

by Rui Faria

céu pintado serrano (Lousã)


Um final de tarde estrondoso, no alto da serra da Lousã, que engalana os olhos, atentos observadores, das cores da paisagem, e no fim de uma grande viagem diurna, essa pequena membrana nebulosa, e quente, qual textura pintada, por grandes mestres salteadores, calmos e pacíficos, envoltos de neblina, na grande estrada montana que une dois pontos mediáticos... o grande monte pintado, e a paleta de cores do céu.


Micronecta scholtzi na Lagoa Azul


Já algum tempo que tenho curiosidade em descobrir a fauna aquática da Lagoa Azul do Parque Natural de Sintra-Cascais (sim, para quem não sabe, esta pequena lagoa encontra-se em área protegida, mas o facto não impede a degradação do local, desde atividades de caráter malicioso e estranho, até às atrocidades habituais causadas pelo homem, e não é invenção minha nem dramatismo!...) mas como dizia acima, e depois de uma paragem estival na lagoa lá decidi prestar atenção minuciosa às suas límpidas margens, enquanto ela procura e fotografa alegremente as vermelhas e atarefadas libélulas que esvoaçam incessantemente sob o calor dessa tarde.
Então depressa, aquele olhar atento revelou um pequeno inseto hemiptero interessante, o Micronecta scholtzi, de hábitos exclusivamente aquáticos, move-se aos soluços como os pequenos alfaiates.


E sempre com um enorme entusiasmo, da descoberta de uma nova espécie, aliado à vontade imensa de encontrar vida abundante nesta lagoa, descubro então esta espécie, magnífico pequeno hemíptero, com alguma facilidade em se observar nas suas margens. Nadando, sobre os minerais moídos, mostrando os seus rudimentares braços nadadores. Mais fascinante ainda é a sua biologia reprodutiva, que com uma breve pesquisa, dei conta que é uma das espécies animais mais ruidosas do planeta, em comparação com o tamanho do seu corpo.


E por fim a imagem da lagoa...
Podemos observar toda a beleza que ainda permanece intacta em redor deste espelho de água, como eu e como tu, juntos,...

by Rui Faria, MR

a pequena garça-branca na vasa


É assim depois que a maré baixa, e os vastos lamaçais do grande rio ibérico ficam a descoberto, proporcionando alimento a muitas espécies de aves que a ele ocorrem, mas também, são berço intemporal de um maciço número de invertebrados ignorados, esquecidos na observação de aves, ou simplesmente desconhecidos... Porque o paladar das garças também conta, e as espécies que elas apanham, fazem mais do que saciar a simples fome... Fome que não é mendigada, mas mais que uma necessidade, e de um viver simples, que é essa simplicidade, que retira da terra, o suficiente para continuar o instante seguinte, e os dias consequentes... Por isso a garça-branca caminha enquanto se alimenta, procurando mais e o melhor..., procurando apenas, e com a sua companheira, percorrendo a linha de habitat fronteiriço, que revela uma riqueza profunda... Nos lamaçais e nos sapais...


by Rui Faria, MR

a verde paisagem


Sempre em uma paisagem, que nunca se desfaz do seu verde, ou do seu amarelo outonal, nem nunca permite que outras cores se sobressaiam, no manto vegetal imenso e a grande escala, se em macro me revela, hiperdiversidade e cores abertas, e despertas, para a sensibilidade presente, e quente, ou não seria esta uma imagem calorenta, em que a erva que apascenta aqueles animais, também a nós nos comove e move, por trilhos delineados e de fácil ascenção, tal e qual e como são, todos esses verdes iguais, absurdamente ricos em espécies vegetais, mas sem deixar os olhos fugir desse ou daquele contraste, e tu já sabes que deixaste, desde sempre, e em mim, aquela marca paisagística, que brota sempre da mesma forma, e de braços abertos, para nos olhos acarinhar, e nos braços receber, o verde viçoso, o amarelo outonal quente e um frio reconfortante, nesse ciclo anual das quatro estações numeradas, e das entradas do solstício, que lentamente mudam a cor da verde paisagem.


by Rui Faria, MR.