Um olhar sobre a natureza do oeste peninsular, o meu olhar, com histórias e imagens, contos e pensamentos... Viagens...

ortópteros, camufla-te de verde!


Procuro na folhagem das plantas por insectos, por quaisquer insectos que seja, na tentativa de registar mais e mais espécies, e mais comportamentos. O mundo dos insectos é muito complexo, e variado, mas perceber porque estes gafanhotos são verdes e procuram as folhas verdes, tem muito que se lhe diga, mas não deixa de ser fascinante e maravilhoso, só e apenas a sua presença na folhagem com a qual compartilham a mesma cor!


Na folhagem dos carvalhos, também eles procuram guarida.


Nas plantas herbáceas, no manto florestal ou em matagais.


Por matagais e silvados de Rubus sp.


Novamente por entre a folhagem jovem de carvalhos.

terras de borboletas


No calor que já lá vai, e que deixou com o verão, que se imperou como uma transição, dando lugar aos dias curtos e aos dias amenos. As borboletas abrandam o seu ciclo, diminuem o pico de actividade, e já não percorrem os campos e montes com a pujança de tempos quentes primaveris e estivais. As suas danças circulantes pelo ar, deixam de se ver, e a mística do canto dos pássaros e dos espetáculos florais cessa. Biologicamente, cumpre-se mais um ano de vida e de gerações, neste fascinante grupo de insectos, cumpre-se mais um estado, repetido ano após ano, mas moldado pelas características do ambiente.
 Oh, borboletas esvoaçantes, que pululam pelos prados naquele dia ensolarado, iluminado pelo raios solares, que fazem despertar, que fazem desabrochar a predilecção dessas borboletas. Sobrevivência e jogos de amor são o prato do dia pelos habitats naturais, são as duas ações que impulsionam a vida destes insectos alados, são as causas da sua proliferação, e são as consequências da sua consequente morte.
Até à próxima geração! Até ao próximo ovo, até à próxima pupa,...


by Rui Faria
Pelos campos ibéricos em busca de ropalóceros, deixo-me embalar pelas diferentes espécies e pela sua biologia fascinante!

a cor da rubus


O amarelo da rubus, deixa-se destacar do outro verde inscrito na folhagem, nervuras que levam a energia para os recantos da folha, mas que cessa, e a mesma seca e "camaleonicamente"
 muda de cor ao ser suprida de tal energia. Com essa mudança, perduram alguns nódulos da cor mãe, da cor verde vivo que se camufla por entre o estrato florestal, nódulos como uma réstia do que já foi a folha e que agora está na verdade, apresentado por uma coloração verde-amarelada, replicando o doce sabor da queda outonal das folhas das árvores, mas sob a forma de cor, puxando outras demais a fazer o mesmo.

Serra da Cabreira, by Rui Faria

Fauna presente



É impossível estar numa paisagem bem preservada e não sentir falta da fauna, olhar para as árvores maduras e ouvir silêncio, em muitos locais isso acontece, porque os animais existentes, refugiam-se, são nocturnos e mesmo aqueles que ainda deambulam ao sabor diurno, apressam-se a fugir se "farejarem" odor humano. Foi uma resposta às duras investidas cruéis dos povos para com os animais, a noite foi a resposta da maior parte deles, mas há que saber separar as coisas, ou melhor dizendo, hã casos e casos, e se dermos espaço e sossego em terras selvagens, os animais predominantemente nocturnos já se aventuram à luz do dia. Isto não é assim tão linear, e na verdade, às vezes, nem tem nada a ver, pelo que podemos observar, por exemplo, raposas ou javalis durante o dia, na periferia de vilas e aldeias, agora invertendo um pouco o papel e beneficiando das actividade humanas. Mas ver um animal selvagem, pode ser considerado sorte por estas terras?, não, isso depende da persistência do observador que os procura, às vezes do acaso, e não é fácil nem difícil, eles estão nas terras, (juntando a isso o óbvio "basta saber onde procurar" ou "fazer os trabalhos de casa") mas como não estamos a vontade em todos os tipos de terreno , torna-se difícil ver animais. Para recolher imagens dignas e sem perturbação, pratica-se a espera prolongada, ideal, para detetar detalhes da vida privada da fauna, e a única forma de observar comportamentos limpos sem influência indesejada da nossa presença. Quanto a muitas aves isto já muda um pouco, pois devido à capacidade fácil que elas tem em se evadirem, a timidez não é uma característica muito acentuada neste grupo, mas pode ser incutida facilmente com a caça e a perturbação irracional, vejamos o exemplo dos anatídeos selvagens e de outras espécies à muito sujeitas a actividades de caça!

bolotas "fogo"


Quieta e imóvel, foi assim que encontrei esta bolota, avermelhada, exposta ao ar amenizado outonal.


E essas bolotas de Quercus robur, caem das copas, pesadas, e se espalham pelo solo, por entre os tenazes fungos que surgiram ao sabor das últimas chuvas!


Parque oriental do Porto / outubro 2015

Ondulação-Outonal


Ondulação, nas bordas de tão grande oceano atlântico, rebenta-se espumada, e cristalina, contorce-se, e rebenta tão perto da praia arenosa, caracterizada por uma coluna linear delicada, e altamente comprida, ondulação quase geométrica, varre as águas salgadas e calmas espelhadas pelo céu azul e iluminadas fortemente pelo astro outonal. A onda rebenta enrolada sobre si própria, sucumbindo ao peso das águas que se precipitam, fruto de fenómenos naturais sempre constantes. Oceano de pureza e transparência, ondas cíclicas, sequenciadas pela ordem do acaso, ou aleatórias, seguindo um padrão influenciável do momento, do tempo ou do clima! A água palpável e límpida, refresca o corpo e mente, refresca o olhar, varre o estado físico e presente e varre o estado emocional do ser que a observa! É assim que o oceano, transformado em mar, chega, quando banha os litorais e as costas das plataformas terrestres, molhando apenas uma fina linha continental ou de ilhas, uma linha só quebrada e desrespeitada com a chegada de intempéries severas, que reclamam, sob poderosas forças, vastas áreas terra dentro.


Orla costeira, PORTUENSE
by Rui Faria

sobral do monte Picoto


Com a malha urbana da cidade de Braga colada a este monte cónico, o mesmo poderia se apresentar hoje ainda mais degradado e empobrecido no que toca ao coberto florestal, mas em todo o caso, encerra na sua área, um espécie de bosque aberto, constituído por sobreiros, Quercus suber. A regeneração desta árvore, também se apresenta muito boa e saudável, com pequenas árvores brotando um pouco por todo o lado e no seio de numerosos exemplares grandes. É interessante verificar que em terras, onde o carvalho-alvarinho, Quercus robur, é rei, o sobreiro, ganhe aqui um alto destaque, e quase sem interferência do alvarinho, lembrando as vastas formações de sobrais e montados do centro e sul do país. Os incêndios, obviamente, que deixaram marcas significativas neste local, sendo que o ponto mais alto é revestido por um matagal de urzes, tojos e fetos, com escassos sobreiros e todos eles de porte pequeno. É por certo um excelente local panorâmico, que abarca variadíssimos montes minhotos, em todas as direções e claro a cidade de Braga.