Um olhar sobre a natureza do oeste peninsular, o meu olhar, com histórias e imagens, contos e pensamentos... Viagens...

Araniella inconspicua


Se há aracnídeos que sabem dar nas vistas, um deles é esta espécie em particular. Com estas cores arrebatadoras e chamativas, pinceladas pela evolução e moldadas ao sabor da biologia desta aranha peculiar. Mais uma vez não foi fácil destrinçar a espécie, não sendo eu especialista, mas depois de uma busca pelo universo da Internet deparei-me com 4 espécies ibéricas (até ao momento descobertas ou classificadas!), certo que ainda algumas incertezas tenho, porque a outra espécie, a Araniella cucurbitina é muito parecida com esta, mas é mais padronizada e com marcas negras e não tem as patas tão vermelhas.


Face inferior / abdómen.

Montanha da Penha / Guimarães.
Folhagem de Acer pseudoplatanus.

Montanhas de Portugal



   Por montes e serras longínquas estende-se Portugal, gigantescas lombas aos socalcos e encavalitadas umas nas outras, desde o litoral até ao interior remoto, montes aplanados, montes suaves, montes altos e montes pequenos, todos mirando uns e outros, e os que por estarem em maiores altitudes abarcam outros maiores.
No alto da serra do Marão vejo terras do único parque nacional português, para sul o imponente maciço central da elevação mais alta de Portugal.
Aqui no Marão, as nuvens parecem suspensas sob uma esfera invisível, deslocando-se como que em carris, impelidas pelo ar, pela atmosfera, e pelo território, e consequentemente pelo globo.




E novamente por montanhas de vertentes íngremes e alguns penhascos, que se perdem em abismos de cortar a respiração, e por um estrato geológico marcante, diverso, e tão bem saliente, o  granito!, caracteriza tão belas paisagens, granito que se deixa levar tão facilmente pela erosão dos elementos e que se apresenta polido em contornos curvados e redondos.
Também as plantas dilaceram a rocha no passar do tempo, abrem fendas, fazem refúgios e refugiam- se a elas próprias, das perturbações do mundo livre.
Montanhas, tantas e tantas vezes incineradas por fogos, que devastam tudo, todos iguais e depois da ignição, naturais.
Montanhas frias e geladas no advento do inverno, e nubladas e chuvosas, e húmidas, esvaziam as águas que recebem por todas as direções até aos vales, utilizando os riachos, regatos, ribeiros e ribeiras, e rios que as ajudam nesse percurso. Um percurso, por norma, com intenso tráfego do precioso liquido, sempre atarefado na sua viagem monótona, e sempre com aqueles ruídos cintilantes da passagem da água pelas rochas, pedras e pedrinhas, e ruído que aumenta ou diminui consoante os obstáculos que essas vias aquáticas encontrem pelo caminho.
Pegos, remansos e diques abrandam as águas, e a vida selvagem prospera, enquanto que quedas de água abruptas, das mais altas da península ibérica, ribombam ou circulam as potentes águas que se precipitam nos abismos, grandes ou pequenos, prolongando um som grandioso e forte, mas também originando, consoante a força da correnteza, ventos ou brisas no sentido jusante e ao sabor da corrente. Nada como apreciar uma das mais imponentes, a Frecha da Mizarela na serra de Freita, e se embalar por um fenómeno natural portentoso, e ali, apenas ali , sentir a união do rio, da encosta e do estrato florestal de Quercus pyrenaica.




E é por essas serras, que nós portugueses, continuamos a nomear, chamar ou designar assim, porque transmitem, um estado de natureza ainda pura, e paragens inalcançáveis ou remotas, sossegadas, onde o silêncio é mesmo silencioso, e a nossa vida se esvai, e somos parte daquilo que vemos, e parte daquilo que respiramos, interligados por um caleidoscópio microscópico até a imensidão do cosmos.

Serras ou montanhas, consoante a região, também falam de monte ou montes, mas que importa a designação! só importa a elevação, só importa a altitude e a vastidão.
Terminando com a palavra montanha, só deixo a ânsia de lá voltar, de lá dormir, de lá descobrir, me aventurar, trilhar e perscrutar. Imagens, cenários, cores e muito, muito mais!

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Primeira imagem: do Marão, avisto terras do parque nacional!
Segunda imagem: do Marão para sul, avisto a serra da Estrela!
Terceira imagem: do alto da serra da Boneca, abarco as serras graníticas e xistosas 
a sul do rio Douro!

by Rui Faria



Glaucium flavum (cabedelo-Douro)


Uma das plantas dunares mais abundantes da restinga do cabedelo, na foz do rio douro. A planta dunar com flores maiores e mais vistosas do local, consegue resistir ao atropelo e ao pisoteio da afluência contínua de inúmeros "intrusos" ou "visitantes", apesar do enorme espaço que representa a língua dunar. Certo que uma boa parte, está reservada para a proteção, e bem!, da avifauna (Reserva Natural Local do Estuário do Douro), em todo o caso, a zona de acesso livre, também se apresenta frágil na composição da sua flora dunar e com espécies a salvaguardar, de grande importância e relativamente escassas no litoral noroeste. A presente espécie é exemplo disso, pois tem aqui neste local, se não estou em erro, uma das maiores populações portuguesas, embora, ainda não conheça suficientemente bem a orla costeira a norte de Viana do Castelo, mas posso assegurar que não são de certeza absoluta, tão grandes e saudáveis como esta. Impunha-se uma visita à restinga dunar da desembocadura do rio Minho para perceber o estado das plantas aí existentes, mas é um local ao qual não visito à cerca de 3 anos! Para breve!


Invólucros das sementes.


As pequenas sementes negras.


Hábito da formação da papoila.


Plantas jovens emergindo das areias.


Where? Marão


A partir da serra da Aboboreira, a perspetiva foi esta, numa manhã fria e húmida!

In the morning, the fog surrounding the highest point of serra do Marão.~
by Rui Faria


Waves (Atlantic ocean)


As ondas do começo do outono!


As águas temperadas da costa selvagem!


A rebentação e a espuma branca!

Orla costeira Espinho/Esmoriz!
by Rui Faria

"pendurados os mosquitos"


Já não é novidade que o mundo natural não me para de surpreender, seria, se ele deixasse de o fazer!
Por aqui na encosta íngreme da margem esquerda do rio Douro a jusante de Crestuma, dei de caras num afloramento rochoso abrigado, com estas filas de mosquitos presos num fio de seda! Como que pendurados a secar, alinhados geometricamente, leva-me a pensar o que diachos estariam a fazer? Porquê agarrados pelas patas dianteiras? Porquê a posição esticada?
Mas não se encontram presos, porque se me aproximo demasiado eles fogem!




Se alguém souber mais informações, sobre esta espécie em concreto e o seu comportamento, terei todo o gosto em acrescentar por aqui citando a pessoa em questão! Mas acho sempre curioso estas peculiaridades do mundo natural, sobretudo do nosso cantinho peninsular!