Um olhar sobre a natureza do oeste peninsular, o meu olhar, com histórias e imagens, contos e pensamentos... Viagens...

Quercus pyrenaica em Loures



Já sabia da sua ocorrência por estas bandas, mas vê-lo aqui é estranho!! Foi para mim uma grande surpresa encontrar no alto desta serra panorâmica o carvalho-negral. Mais precisamente em Montemor, Loures!
 A vista (seguindo o post a face do líquen) abarca um vasto território do distrito de Lisboa, apenas impedida para oeste por causa das densas plantações de eucaliptos. Mas voltando ao tema, um punhado de pequenos Quercus pyrenaica vegeta por entre os penedos do alto deste monte, num habitat constituído por Quercus faginea, Rhamnus alaternus, Olea sylvestris ou pela Phyllirea angustifolia entre outras e várias espécies arbustivas num mosaico muito aberto devido a um incêndio que deflagrou, se não estou em erro em 2012, a última vez que por cá vagueei.
 Tradicional e abundante no interior do pais é notória a sua adaptação a essas terras frias, mas por sua vez tão quentes! Então que corredores utiliza o carvalho-negral? Pela pesquisa que fiz parece haver um ramo de distribuição que se separa do interior, segue pelo centro, até parar na estremadura, interessante não é?
Mas cuidado que o carvalho-negral também vagueia pelas dunas do litoral nortenho e não se importa com o ar salgado e dos ventos do imponente oceano atlântico, vá-se lá saber como é que chegou aqui ,ás terras do rei Quercus robur! Isso fica para futuras histórias, penso que ainda não o referi!

Mas agora entrando noutro caminho, foi aqui que realmente percebi como os incêndios podem ser benéficos, e atenção que não estou defender os incêndios nem a incitar a sua prática, mas antes compreendi que um fogo esporádico, e refiro-me a este local em concreto, permite o aparecimento de muitas espécies botânicas difíceis de encontrar, e que a meu ver parecem depender precisamente daquilo que tanto tememos e repudiamos, os fogos. Após o fogo que deflagrou naquela altura vi um mar de abróteas rebentando por toda a encosta, e um sem número de flores de variadas espécies diferentes, inclusive orquídeas, à pois é!
Mas querem saber uma coisa, hoje algumas partes destes montes, estão com um coberto vegetal extremamente denso que já asfixiou todas aquelas plantas diversas, substituídas em maior parte por uma composição arbustiva mais homogénea. Então a única maneira seria um deflagrar de um novo fogo para brotar nova vida como uma primavera que antecede o verão, mas certo é que também estamos a esquecer a influência dos grandes herbívoros que já não mais existem por aqui, (talvez em excepção os javalis) e que por certo dinamizariam muito mais a paisagem local.
Certo que já se aperceberam que o meu foco acaba sempre nos grandes herbívoros e a sua interação na paisagem, mas eles são ou foram elementos chave na mesma! Contudo é preciso ter noção que muitas plantas e outros animais terão desaparecido, ou têm desaparecido, pelo motivo que a atividade dos grandes mamíferos cessou! A nossa (atividade) é demasiado destrutiva e chafurdada, beneficia plantas cosmopolitas e ruderais, mas as especialistas acabam por morrer!

Quercus pyrenaica - pequena árvore

Quercus pyrenaica - face inferior da folha

by Rui Faria, até breve com as bonitas ou razoáveis histórias!




vista para nordeste (Marão)


Sinto falta das Águias-reais, apesar de nunca as ter visto por estes lugares. 
A imponente vista que se observa do alto das falésias do Marão é de cortar a respiração! 
O abundante caos de blocos e penedos largos e compridos assente na paisagem alti-montana.
Os matagais de urzes e carqueja a perder de vista.
 O significado de montanhas, nunca esteve tão emergente, e é palpável.
Bem vindos à serra do Marão!

eu / iberia e a leuzea longifolia



Continuo pelos montes de Portugal em busca de animais e plantas, ao sabor das estações e do clima, o que encontro em cada época diferencia-se, destaca-se! Depois de ter vasculhado e estudado milhares de locais por todo o país, com maior incidência na zona norte e centro, é cada vez menos frequente aquela magia de encontrar um habitat novo! Mas por cada habitat novo que encontrava vinha sempre um "uau" ou "caraca" muito usado pelo povo brasileiro, mas que expressava a minha alegria em encontrar lugares, que no seu todo são prístinos ou que estão ainda a o ser! Mas talvez esteja a ser um pouco preguiçoso nesta escrita, porque a verdade é, que em cada percurso que faço, abre-me caminhos para outros tantos. Quem me conheçe sabe que tudo aquilo que conquistei e descobri foi á boleia de uma, a duas bicicletas, que me levaram para um mundo de liberdade e altamente prazeroso, nada fácil de explicar em pleno para aqueles que pela primeira vez me perguntam. Mas as duas rodas estão em segundo plano, são apenas um transporte, e que graças a elas foi-me possível encontrar muitos recantos que de outra forma ou transporte seria impossível. O estudo e o registo documental de seres vivos ibéricos e formas geológicas é meu principal foco, ainda que o considerem amador. Mas que vai evoluindo e se consolidando com o tempo! Sou generalista, e o mundo natural para mim, mostra-se num grande puzzle, se bem que hã alturas em que estou mais seletivo ou concentrado, como agora, na flora, procurando raridades e preciosidades botânicas, mas sobretudo tenho agora uma visão diferente da distribuição de certas plantas. E é aqui que entra a Leuzea longifolia, uma planta que vim primeiro a conhecer pelas mãos da micro reserva da Quercus em Leiria, mas que devido a um esforço de conhecimento de novos locais acabei por descobri-la (ou redescobri-la) em duas novas populações para norte , Cantanhede e Vagos respetivamente. Mas não é só, porque tem várias conclusões, algumas das quais não vou mencionar aqui, mas uma delas é que , assustadoramente, é a forma como as plantas se tornam raras, como desaparecem da vista e dos locais noticiados e referenciados por aficionados desde sempre, e não são mais ou menos interessantes pelo facto de o serem (raras). Mas claro, e porque é que algumas são mais bem sucedidas que outras? Isto é, porque a Erica scoparia prolifera e a Leuzea espalha se em grupos de algumas dezenas de indivíduos?, quando partilham os mesmos locais ou o mesmo tipo de solos e composição florística.
É preciso também reflectir no tipo de terreno, olhar bem para ele e deslindar se houve alteração do solo, e até que ponto! E depois juntar-lhe em pensamento, elementos já extintos como os grandes herbívoros. Em facto, é isso que eu faço na altura de captar imagens no estado natural puro!
Dezenas de milhares de hectares de eucaliptais e casario, tornam a tarefa hercúlea, mas faz-se o que se pode!, com muito amor e dedicação!


Leuzea longifolia /Cantanhede

by Rui Faria - porto/Portugal

face do Líquen


Na serra de Loures, a vista abarca todo o rio Tejo, Lisboa e até o parque natural da serra da Arrábida e as suas vastas serras calcárias. Aqui, a flora não poderia ser mais marcante, mediterrânica no seu todo, mas com componentes atlânticos intrometidos e bem estabelecidos como o Pteridium aquilinum.
E a face do Líquen, deu-me uma boa imagem ou registo de um grupo que se revela diverso, encrustado nestes penedos, na sua forma de vida simples e direccional, tal como as plantas, mas quase imortais e imóveis.

cegonha-preta no centro


Mais vale tarde que nunca, de facto esta imagem é do dia 27 de agosto de 2013, mas nunca esqueci o facto de ter visto 2 cegonhas-pretas entre um bando enorme de cegonhas-brancas. Neste pântano com ligação a sul da pateira de fermentelos, tive de ser matreiro, para as conseguir fotografar, porque qualquer barulho ou movimento que se destacasse no silêncio do local, as faria levantar voo.
É um orgulho poder assistir a espectáculos naturais desta tipologia, à la África, onde a palavra animais já tem algum significado.

Ciconia nigra

Corema album ao detalhe!


No pinhal de Cortegaça, o verão impele um dos odores mais singulares destes sistemas arenosos.  
Os próprios aromas do pinhal são indistinguíveis mas o deste arbusto está em outro patamar. Com as suas bagas brancas, polpudas em parte, brilhantes por outra, não escapam aos olhos dos vertebrados. Mas agora, que escrevo isto, estou a pensar no porquê da sua coloração branca, e desculpem-me se estiver enganado, mas, no momento não me está a ocorrer mais nenhuma espécie ibérica com bagas brancas (mas vou investigar!), o que é certo é que terão um propósito ou vários.



Vista "aérea" da formação arbustiva.



 O tamanho das bagas da camarinheira
comestíveis e a sua proporção na palma da minha mão. Abaixo as sementes que se encontram no interior do invólucro branco e do líquido semi-açucarado.



by Rui Faria, em pinhal de Cortegaça

Rana iberica em agosto

Agosto, e pequenas rãs desta espécie única e endémica da península ibérica, pululam pelas margens rochosas e apertadas do rio Arda. Com os seus tons castanhos, estas pequenitas não são fáceis de encontrar na linha entra a água e pedra, mas como resposta ao observador que as procura, elas apressam-se a esconderem-se sem mãos a medir! Um ícone dos rios mais límpidos do noroeste ibérico.