Um olhar sobre a natureza do oeste peninsular, o meu olhar, com histórias e imagens, contos e pensamentos... Viagens...

O carvalho rei!


É ele, o nosso carvalho-alvarinho, com a alma no Gerês, erudito em Calvos, abundante no Bico, relíquia no sul, e maltratado no norte atlântico, esse nosso carvalho faz-se só disso, muito especial!
Seja pelo tamanho que é capaz de alcançar ou pela abundância de formas de vida que sustenta! Já os celtas os veneravam religiosamente... sem dúvida... belíssimo!...
Quercus robur, rio Arda 
by Rui Faria


no barranco da foz do Ardilla


Acima prosperam os montados de azinho e os olivais, mas aqui neste barranco apertado e vertiginoso em forma de garganta, nele refugiaram-se numerosas plantas, que à partida lá em cima seria muito difícil a sua sobrevivência, como é o caso da gilbardeira, Ruscus aculeatus.



pega-azul (Cyanopica cyanus)



Pormenor geológico do barranco.

fragas da foz do rio Ardilla



Barranco, margem esquerda do rio Ardilla. (Ardilla, foz no Guadiana)
by Rui Faria


O INCRÍVEL Pica-pau-verde.

Picus viridis

No trilho de acesso à serra granítica de Figueira, extasiado fico por compreender pela primeira vez o tamanho e as cores desta magnífica ave florestal, triste fico, porque esta, acabaria por morrer momentos depois!

o amor de pilritos e a moreia



Estamos no final de Maio do corrente ano, e nesta costa dunar rectilínea a norte de Praia de Mira, dois transeuntes alados chamam-me a atenção naquele final de tarde,...
Sozinhos na vastidão isolada da praia deserta, olhando um para o outro, fazendo adivinhar o que iria eu observar logo de seguida,...
Treinos? acasalamento?, por certo efetuaram várias investidas amorosas, mas eu não deixava de pensar o quão longe estão dos seus territórios de nidificação no Ártico, e que para lá certemante se dirigiam,... Não me posso esquecer que faltariam escassos dias para a entrada do més de junho, mas compreender queria, acerca das condições climáticas do território que as espera, porque enquanto não perceber (e por certo não vou conhecer) como estaria o Ártico nesta altura, continuarei com aquela pergunta inocente na mente: porque ainda estão aqui? Mas a natureza e os seres que a povoam não têm de ser lineares, ...

São momentos de prazer e de vida selvagem que nunca se esquece, ainda para mais com um cenário magnífico!


E agora entra a moreia!




Na pausa de toda aquela atividade no casal, este ou esta aproxima-se da carcaça de moreia, procurando invertebrados por entre a matéria em decomposição do animal morto. Mais uma vez brinda-me de belíssimas notas comportamentais que vão muito além daquilo, a que nos habituamos a caracterizar e todas aves, apenas os padrões de vida mais comuns, migração, reprodução e coloração!
Mas eu não me limito observar aves ou a "colecioná-las", mas antes ser um intrometido (com carinho, porque respeito a vida destes seres!) e compreender e estudar a sua vida íntima, e a sua eterna e mutável complexidade com o mundo natural. 


by Rui Faria





pinheiro C


Já é sabido que as dunas holocénicas foram florestadas sucessivamente por um ideal de um povo que já não mais existe mas que ainda vive escondido entre nós. A necessidade de fixar as areias e a vontade para o fazer foram de tal maneira grandes que resultou em dezenas de milhares de hectares de plantações no que outrora foi um deserto. Um feito que bem poderia ser motivo de orgulho para aqueles que dificilmente conseguem encontrar ou não querem, motivos para amarem o seu país!, pleno de maravilhas naturais.
E as dunas holocénicas, portanto? O que de especial têm? A sua vastidão, o significado da sua conquista ao mar e a ampliação da linha de costa, e outros,...
  É, possivelmente um dos únicos exemplos a nível mundial de um habitat pobre e desértico, ao ser transformado numa zona verde mais rica e biodiversa, mas nem todas as matas atingiram a riqueza e a biodiversidade que os naturalistas esperariam, e se por um lado temos a magnifica reserva natural de são jacinto (R.N.D.S.J.) com a sua flora diversa, ou a mata de Leiria e de Quiaios, por exemplo, temos do outro lado, a ganância (talvez seja uma palavra forte) que levou a fixação de espécies exóticas como as acácias e chorões, que vai ganhando terreno, nestes terrenos favoráveis que são as dunas. 
Vou-me situar por exemplo na mata gigantesca de Quiaios, num talhão aberto com um aspeto muito natural, de matos diversos e pinheiros isolados, imaginando como seria este lugar sem as plantações antrópicas- um vasto deserto de areias douradas estende-se longínquo em todas as direcções, grandes montículos de areia dourada a que chamamos dunas dispostas de tal maneira enfilada ou em fila que só do ar se apreciaria todo o esplendor de tal formação! Pequenos oásis de vegetação, como pontos pulsantes, emergem por entre o mar de areia e as árvores seriam relíquias, uma bênção para um hipotético viajante sedento, descansar à sua sombra num dia de calor abrasador.

Claro que toda essa belíssima paisagem ficou entupida pelas plantações, até quando nós considerarmos que vale a pena mantê-las, a partir daí, só me resta a mim, procurar o que aqui se fixou, as aves, os insetos, a camarinheira, e os bonitos fungos de outono! Maravilha!

E quase me esquecia de foto acima - a natureza, mais uma vez em jeito de brincadeira, vai-me fazer contorcionismo no tronco deste pinheiro! Hehe! Porquê?  Recuemos até ao dia em que ainda era um pequenino pinheiro exposto à força dos elementos, e depois como num filme, aceleramos as imagens e voilá, sai um pinheiro C!

Obrigado a todos pelo apoio!
by Rui Faria


corte do caminho (fungos)

Na subida para o monte granítico em Figueira, uma breve humidade despoleta o crescimento destes fungos circulares, agora em fase de secura devido à escassez de humidade do crescimento do dia e ao aumentar das temperaturas.