Um olhar sobre a natureza do oeste peninsular, o meu olhar, com histórias e imagens, contos e pensamentos... Viagens...

porto ou Oporto (falésias)


Vivendo no porto, uma cidade cada vez mais badalada pelo turismo, não é fácil ser-se naturalista de proximidade, o que encontro aqui de natural são pequenos a mini recantos, onde a vida selvagem é acanhada e tímida, por isso as fotos de paisagens naturais são quase impossíveis de fazer, excepto na orla costeira portuense, mas nos demais sítios, não...
Nas minhas deslocações para o local de trabalho, que a propósito são sempre de bicicleta, da margem norte para a margem sul em Gaia, atravessando a ponte D.Luís, tenho a visão ampla e relaxante do canhão do douro em pleno Porto e Gaia com um pano de fundo das serras de Valongo. Ora então e saindo um pouco mais cedo de casa aproveito a minha própria boleia partindo à descoberta de um dos locais mais vistos e fotografados do Porto. As encostas íngremes com uma história de degradação longa, ainda apresentam flora relíquia como a Erica arborea o Acer pseudoplatanus e a Phyllirea latifolia ou a Smilax aspera por exemplo, e na primavera os sabugueiros (Sambucus nigra) pintam os socalcos abandonados com os seus belos e grandes cachos florais.

E a imagem acima? Bem, da margem norte, zoom no máximo, e apanho aqui um pequeno trecho geológico da encosta a escassos metros do tabuleiro inferior da ponte. Um pequeno trecho natural e pouco intervencionado, presumo eu!. Certo que uma visita de barco se impunha para perceber melhor a flora que ainda aí vegeta e que é difícil perceber dos múltiplos pontos de observação, porque também existem muitas exóticas, ora seria esta uma das portas de entrada do comércio de plantas antigo. 

Haematopota sp. /carvalhal

Não coloquei ocelligera no título referente à espécie porque mesmo que até seja, estou sempre com um pé atrás no que toca a nomes científicos de invertebrados portugueses, se bem que o conhecimento neste campo aumenta a cada dia que passa bem como os registos fotográficos, vão-se tornando cada vez mais abundantes e banais, mas em todo o caso, informação fidedigna e completa não é fácil de encontrar na net, está muito fragmentada, e este nome tive que vasculhar no portal Naturdata, que não é fácil para quem não estiver no mínimo familiarizado com as diferentes espécies (que são imensas) e formatos das mesmas.
Este magnífico díptero que encontrei nas Viola sp. na margem de um curso de água de encosta em Aboim, Fafe, no seio de um amplo carvalhal jovem e denso (de notar que este foi cortado à alguns meses para lenha e carvão, uma prática comum nesta região).
 Curiosos são os seus globos oculares raiados, prontos para a "party" evidenciando o carácter excêntrico e modelador da natureza, mas se ainda assim não convencer a maioria das pessoas a gostar e a querer conhecer estes espantosos insetos eu de futuro publico mais imagens, e de certo o farei, ai não esperem pela demora!


Haematopota sp.    7-8-2009 

Stipa gigantea!


No ínicio de julho parti mais uma vez à descoberta das terras da Stipa gigantea nesta serra granítica em Figueira com a particularidade de ser esta a gigantesca transição do xisto para o granito. O xisto que é visível para oeste, o anticlinal de Valongo e serras adjacentes, e para sul a serra da boneca. Esta serra em tudo é semelhante a uma boa parte das serras graníticas do Minho mas com a diferença de possuir vastas manchas douradas de stipa, douradas porque os seus gigantes caules secos, conferem esse tom. Da primeira vez que visitei está serra não dei a devida importância a esta gramínea, mas depois de reflectir constato que será a população mais perto da costa norte, e estranho porque já a conhecia nas serras graníticas do distrito da guarda, e sempre formei a ideia que é uma espécie continental tanto que em parte ainda a tenho.

Stipa gigantea

Parecem pequenos mas não são, garanto!



Ver agora está espécie neste dia nublado e os seus caules de 2 metros de altura é fascinante, e alegra-me pela diversidade a que trás a estes montes pobres e devastados pela acção antrópica, pois eram sempre aquelas espécies comuns que observava, as urzes tojos e carquejas ou giestas resultado óbvio da primeira ou da segunda zona metropolitana mais populosa do país, mas nem esse facto deitou por terra a biodiversidade sobrevivente, avifauna variada, uma abundância de mamíferos, dos insectos já nem se fala,...
E foi na realidade o motivo desta nova visita, a busca por ortópteros (gafanhotos) sobretudo nos tufos da stipa. Curiosidade em descobrir as diferentes colorações que me estariam á espera associados á stipa mas também a outras 4 espécies de gramíneas. A manhã nublada fez ainda esconder estes insectos, mas não as aranhas, e que muitas que eram!



Dou também destaque á presença quase junta de três espécies de tojos o Ulex minor, o Ulex latebracteatus e o Ulex micranthus; as vagens secas e peludas das giestas exibem-se, não tarda e começam a estalar ao sabor dos dias tórridos.!



E  não é que o IPMA acertou em cheio, e logo depois do meio dia o sol se abre por entre as abertas, e que forte ele é, à minutos atrás estava a ficar com frio de t-shirt e agora parece que estou no Alentejo! só até adaptar-me! Adiante; logo de seguida surgem as andorinhas á caça de insetos e as borboletas investem contras as poucas flores do local. Não perco tempo, e aproveito o pouco que me resta para procurar insectos sedentos de calor.


Eu abaixo-me por entre as gramíneas, lançando-me na sorte, e capto este hemiptero.


by Rui Faria

Wild Marão


Se algum dia as grandes aves de rapina voltarem a este cenário de cortar a respiração,...
Se as cabras-monteses pularem pelos precipícios,...
Se os abutres e os quebra-ossos fixarem o olhar na imensidão geológica, ...
...serra do Marão!!!...

...Mountain of Marão by Rui Faria...







"Anemone" litoral norte-atlântico



O litoral atlântico está repleto de maravilhas naturais e uma biodiversidade composta por mais fauna do que flora, logo as regras são um pouco diferentes em relação ao mundo terrestre fácil de perscrutar obviamente. Nos baixios expostos pelas descidas de marés e de carácter geológico vários, é possível encontrar diferentes espécies de algas carnudas, os ouriços, os bivalves e univalves. Muito resumidamente escrito, mas na verdade são esses os grupos mais abundantes, á primeira vista!


As anémonas conferem tons ricos a este mundo de difícil acesso para nós, que só se compreende ao mais alto nível num mergulho, total, num dia ensolarado, por exemplo. Resta-me a mim fazer um certo contorcionismo para tentar captar a beleza destes seres pelas múltiplas fendas e cavidades. E claro, ter sempre um cuidado na forma como caminho por estes sítios, como disse acima, a dinâmica aqui é diferente, estes lugares não estão preparados para o pisoteio excessivo e o mesmo pode e danifica e altera estes bonitos habitats costeiros.


Faixa costeira: Espinho-Vila do Conde    by Rui Faria

pôr do sol foz-douro



É o fim da hora mágica, aquela hora que preenche o pano do fundo de cores vivas de uma boa parte das grandes fotografias dos grandes mestres.

descobre as gramíneas!


Quando chega o tempo ameno e quente, vulgo primavera e verão, procurar gramíneas é algo que nunca posso deixar de fazer, é algo que me impele, encontrar novas espécies floridas, admirar um grupo botânico tão desprezado como os insetos, e imaginar histórias de herbívoros perdidos no tempo. Para mim, que já trabalhei com cavalos, tem um significado especial na medida em que pude apreciar o apetite voraz que estes têm por estas plantas, ou os odores que estas libertam quando são cortadas e na secura ou na secagem que a elas se impõem! 


De facto, Portugal é um paraíso no que toca a este grupo botânico com variadíssimas espécies adaptadas a praticamente, senão todos os habitats terrestres e alguns aquáticos, e como dizia acima é com a chegada do tempo quente, um breve período, em que é possível apreciar as rudimentares flores com as suas formas curiosas e engraçadas baloiçando na leve brisa que penteia os campos e montanhas e outros lugares,...


by Rui Faria / Porto

Para quem quiser saber mais sobre a biologia deste grupo é favor consultar:
http://www.uc.pt/herbario_digital/Flora_PT/Familias/gramineas