Um olhar sobre a natureza do oeste peninsular, o meu olhar, com histórias e imagens, contos e pensamentos... Viagens...

Amostra da grande diversidade de dípteros do Febros e uma surpresa!

Neste dia primaveril de Abril os campos e os bosques na orla do rio febros fervilham de vida.


Estes, esvoaçam pelas clareiras ou pelos raios de sol que irrompem pelos ramos de folhas frescas.



Tal como a neve, o algodão dos amentilhos femininos dos salgueiros desprende-se e cai suavemente no solo florestal.



E a planta que para mim suscitou entusiasmo pois nunca a havia visto nesta zona, confesso até que nem conhecia populações desta espécie no douro litoral (ou se as vi, pelo menos não me recordo!).
O selo-de-salomão Polygonatum odoratum encontrava-se em flor neste bosque de salgueiros e carvalhos por perto. Contei pelo menos 10 indivíduos, possivelmente haverá mais, bem como noutras partes do bosque, o problema é que este foi recentemente cortado em parte, em que foi deixada uma grande clareira. A ver vamos como a recuperação deste lugar está e irá ser nos próximos anos. Certo, é que haverá olhos apontados na direção deste magnífico lugar a montante do parque biologico de gaia e as suas portas, no sentido de salvaguardar um tesouro único e desconhecido no douro litoral.
Num breve resumo menciono alguns dos aspetos mais relevantes deste lugar; o primeiro remete-se á fantastica diversidade de plantas típicas de bosques, Fragaria vesca, canastro, urtigas, viola sp., prímulas (agora em flor), e muitas outras; depois há (ou havia?!) os sabugueiros (Sambucus nigra) e os sanguinhos arbóreos , etc,... os magníficos salgueirais e amiais e muitos mais,...

Polygonatum odoratum

Superfloração de tojos!


Ulex latebracteatus
Estamos em março e no alto desta serra com vista para a cidade de Braga a oeste, o intenso e homogéneo amarelo dos tojos abarca-me! O sol que espreita das nuvens realça ainda mais a sua coloração. Lá no alto um olhar atento pelos binóculos revela a forte ondulação marítima e agora percebo a exposição desta encosta, exposta aos ventos atlânticos.



Se é referido constantemente que estas serras estariam cobertas por florestas de carvalhos, então e o lugar destes matagais?
Talvez não fossem tão densos, ou talvez o fossem numa formação mista. Hã tantas perguntas e hipóteses explicativas e especulativas que completarei mais tarde.


O contraste entre uma linha de carvalhos e sobreiros e os tojos, que desce a encosta é arrebatador!

linha de carvalhos que desce a encosta
O local é palco de incursões das gralhas-pretas e da águia-de-asa-redonda (Buteo buteo).



by Rui Faria

O grande réptil ibérico (cont.)

Timon lepidus
Numa continuação do post anterior, mostro aqui este magnífico réptil que encontrei no alto dessa serra tomando sol. Na orla dos arbustos e das pedras graníticas encontra segurança, porque as aves de rapina têm uma visão apurada, por isso todo o cuidado é pouco.
Como ele não deu com a minha presença, consegui fotografá-lo em pleno. Aproximei-me mais um pouco e aí já me viu, mas continuou imóvel, julgando talvez que eu não o tivesse visto ou possivelmente ainda estando demasiado frio para dar uma fuga rápida (uma interpretação rápida e simples!)
Logo que alcançar a temperatura certa, também ele procurará alimentar-se.

Nikon P600 f/5.5 1/320s ISO-100 . 59mm


crânio do grande herbívoro



A pouco mais de 800 metros de altitude nas faldas da serra da cabreira numa antiga plantação de Pinus sylvestris. 
Pormenor interessante do crânio com interpretações várias na imaginação do caro leitor.

areia em maçeda


O recuo acelarado da costa em maçeda em que o mar e sobretudo o vento esculpiu formações interessantíssimas na arriba antrópica. O que torna este lugar único é o facto de realmente não haver lugar semelhante em toda a costa portuguesa, pois parece uma arriba primitiva. As dunas já não se conseguem formar porque o pinhal antigo compactou a areia de tal forma que o mar não tem outro remédio senão a desgastar desta forma. Não tarda e estamos a ver a estrada que corta o pinhal de norte para sul bordejada por marginal! Mas esta erosão põe a descoberto um espantoso achado, as formações da idade do gelo de  Pinus sylvestris, com pinhas espantosamente bem preservadas, sendo que ainda é possível encontrar restos de madeira dessa árvore, e até restos queimados, o que indicia a ocorrência de um grande incêndio, possivelmente a marca do aquecimento global naquela altura. Ainda se pode encontrar sementes das plantas que na altura existiam e até restos de escaravelhos, coleópteros.

estratos coloridos


Nos caminhos do vale do Couce (Valongo). Se eu fosse geólogo, explicava-vos com detalhes e pormenor a história destes belos estratos, mas posso e podeis, levarmos-nos na imaginação dos tempos prê-históricos.


Rui Faria / Porto